Um crítico da Rolling Stone elegeu os cinco melhores shows de rock do Rock in Rio 2026. A histórica despedida de Elton John liderou o ranking com uma performance impecável repleta de sucessos. Em segundo lugar ficou a energia catártica do Bring Me the Horizon, seguido pela apresentação renovada e direta do Foo Fighters. O The Hives garantiu a quarta posição com seu garage rock divertido, enquanto a potente união nacional entre Black Pantera e Nervosa fechou a lista celebrando o metal.
Chegou ao fim o Rock in Rio 2026. Dois dos sete dias de festival foram inteiramente dedicados ao gênero presente em seu nome. Além disso, houve atrações pontuais do estilo em outras datas, de Elton John como headliner de 7 de setembro a Barão Vermelho, João Gordo e Matanza Ritual "perdidos" em 6 de setembro.
Quais foram, portanto, os melhores shows de rock, metal e seus subgêneros a rolarem no Rock in Rio? Confira um top 5 preparado especialmente para a Rolling Stone Brasil.
Os 5 melhores shows de rock do Rock in Rio 2026, segundo crítico da Rolling Stone
5) Black Pantera + Nervosa [5 de setembro]
Enquanto não chega a hora de fazer história no Palco Mundo, o Black Pantera faz história no Sunset ao trazer como convidada a Nervosa, uma das maiores bandas de metal a surgir no Brasil neste século. A união soou tão coerente que levou ao pensamento: por que isso não havia acontecido antes?
Para além do som pesado — crossover thrash em português do Black Pantera e o thrash/death "tipo exportação" da Nervosa —, ambas as atrações compartilham uma história de resiliência e representatividade no metal. Como resultado, deixaram a pista repleta de moshpits.
4) The Hives [4 de setembro]
No início do ano, The Hives abriu duas datas do My Chemical Romance em São Paulo. Parecia não combinar, mas deu tão certo que o grupo converteu novos fãs. Não demorou até retornarem, para uma apresentação ainda maior e complicada: tocar num dia de Rock in Rio cujo lineup apostava demais no headliner, Foo Fighters, e, como habitual, ter sua performance televisionada para todo o Brasil.
Felizmente, os suecos tiraram de letra novamente. Ofereceram um show divertido para o público que, mesmo no início da noite, ainda chegava à Cidade do Rock. Sete das 12 músicas tocadas vieram de seus bons dois discos mais recentes, mas o público, em meio às engraçadas interações em português do vocalista Howlin' Pelle Almqvist, vibrou, mesmo, ao som de clássicos do garage rock revival como "Hate to Say I Told You So" e "Tick Tick Boom".
3) Foo Fighters [4 de setembro]
O Foo Fighters segue em busca de um caminho desde a morte de Taylor Hawkins. Ao fechar o primeiro dia de Rock in Rio, porém, mostraram estar mais próximos de uma diretriz do que quando vieram ao Brasil em 2023, para tocar justamente no The Town.
Ilan Rubin mostrou encaixar-se melhor do que Josh Freese na bateria. A execução das músicas esteve mais direta, sem as criticadas enrolações e interações excessivas de Dave Grohl. Lados B como "Marigold" (dos tempos de Nirvana), "Stacked Actors" e "Exhausted" mantiveram o show interessante para os fãs mais dedicados em meio à esperada chuva de hits. Quem perdeu poderá assisti-los novamente, em São Paulo e Belo Horizonte, no próximo mês de fevereiro.
2) Bring Me the Horizon [5 de setembro]
Seja nas redes ou no gramado do Rock in Rio, foi comum se deparar com comentários de pessoas que não conheciam ou gostavam do Bring Me the Horizon, mas aprovaram o show no palco Mundo logo antes do Avenged Sevenfold. Pudera: a banda inglesa ofereceu uma performance mais poderosa e catártica que a atração principal.
O som híbrido e dinâmico, que vai do metalcore ao hyperpop com naturalidade, foi apresentado em um formato transcendetal à música, com narrativa estabelecida, direção artística chamativa e bastante interação. Oliver Sykes, carismático vocalista, era atendido a cada pedido de moshpit em português. Pena que o final do repertório desacelera e fica um pouco melodioso demais; ainda assim, foi um show digno de headliner.
1) Elton John [7 de setembro]
Elton John nem precisava estar no Rock in Rio. Ainda assim, o artista inglês — aposentado desde 2023 e dono de fortuna proporcional ao impacto de seu catálogo — fez questão de se despedir do público brasileiro após uma visita da turnê de despedida ter dado errado em função da pandemia.
Já nas primeiras notas de seu espetáculo encerrando a programação do palco Mundo em 7 de setembro, logo deu para perceber que Elton e sua banda, com vários músicso que o acompanham há décadas, não estavam para brincadeira. Da abertura progressiva "Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding" ao encerramento baladesco "Your Song", foi tudo lindo: seja pela chuva de hits, pela performance orgânica ou pelo fato de o artista ter esticado em meia hora a duração de seu set.
Menção honrosa fora do rock: Péricles canta Motown
Não é rock, mas quem aprecia o gênero certamente ficou encantado com a homenagem de Péricles aos clássicos da gravadora Motown, nome fundamental da música negra americana. O pagodeiro transitou com naturalidade pelo repertório de clássicos do soul, R&B e funk, indo desde Jackson 5 e Smokey Robinson até Boyz II Men e Rick James. Que este show especial vire turnê.
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