O primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 foi marcado por chuva, lama, problemas de segurança e grandes apresentações. Elton John brilhou em show histórico ao pausar a aposentadoria, acompanhado por destaques positivos como Foo Fighters, Jon Batiste, Péricles e Roupa Nova com Guilherme Arantes. Em contrapartida, as apresentações de Calvin Harris, que esvaziou o festival, mgk, hostilizado no dia do metal, e Luísa Sonza figuraram entre os piores momentos da primeira etapa do evento.
O primeiro fim de semana do Rock in Rio terminou na madrugada desta terça-feira, 8, com uma apresentação histórica de Elton John. O astro britânico deixou a aposentadoria dos grandes shows de lado para ser o headliner — e uma das atrações mais esperadas do festival neste ano. Aos 79 anos, John mostrou boa disposição para oferecer um show de mais de duas horas ao público que ficou de olhos vidrados no Palco Mundo. O ponto alto foi o pedido do músico para que os fãs o acompanhassem em Crocodile Rock.
Nos bastidores, John se encontrou com Gilberto Gil, que também se apresentou no Palco Mundo nesta segunda-feira, 7, um pouco mais cedo do que o astro britânico, às 20h10. Acompanhado pela família, Gil cantou clássicos de sua carreira e algumas surpresas, como Pro Dia Nascer Feliz e Maracatu Atômico.
No Palco Sunset, o dia ainda teve Péricles cantando o repertório de artistas da gravadora Motown e o Roupa Nova convidando o estreante no Rock in Rio Guilherme Arantes. A cantora, compositora e musicista islandesa Laufey também se apresentou pela primeira vez no festival. Fez um show intimista e homenageou a música brasileira.
Chuva na Cidade do Rock
Os quatro primeiro dias do Rock in Rio 2026 ficaram marcados por muitas poças de água, lotação nos dias mais pop e questões de segurança. O destaque do primeiro dia, sexta-feira, foi Foo Fighters, que encerrou a noite no Palco Mundo com uma apresentação de mais de duas horas. No sábado, 5, dedicado ao mental, o Avenged Sevenfold deu um bom show no palco e o vocalista M. Shadows mostrou ter recuperado sua boa forma vocal.
No domingo, 6, quando teve lotação máxima na Cidade do Rock, a chuva castigou bastante o público, mas ninguém parecia disposto a abrir mão de assistir às apresentações de Black Eyed Peas, Ne-Yo e Calvin Harris. Harris, que fechou o dia no Palco Mundo, transformou o Rock in Rio em uma grande balada, mas com uma apresentação com prazo de validade: depois de uma hora, o público parecia já ter perdido o interesse no set do DJ e começou a deixar o festival.
Com a chuva, vieram alguns inconvenientes. Foi muito comum se deparar com poças de água enormes que se formavam nas partes mais baixas do gramado, o que fez o público começar uma espécie de competição de salto nas passagens entre o Palco Sunset e o Palco Mundo. Uma cena curiosa em um festival que tem em sua história a lama que marcou a primeira edição, em 1985.
Sinalizadores e spray entre o público
No show da banda Avenged Sevenfold, no sábado, 5, por pelo menos quatro vezes foi possível notar o uso de sinalizadores. O Estadão presenciou um grupo que fez uso do dispositivo, que foi apagado imediatamente por seguranças. No show do Foo Fighters, no dia anterior, também foi possível observar sinalizadores na plateia.
No show da banda BaianaSystem, no domingo, 6, o jornal O Globo presenciou o uso de um spray com uma substância não identificada que foi acionado durante uma roda de pogo, ou mosh. Quem estava ao redor, segundo o relato do jornal, começou a ter sintomas como tosse, enjoo e dificuldade para respirar.
Em nota, a organização do festival afirmou que a segurança do Rock in Rio, ao ser informada sobre o ocorrido, foi até o local para prestar apoio ao público, mas que, ao chegar lá, não havia mais demanda por atendimentos. O texto afirma também que não houve atendimentos no posto médico por esse motivo.
Os melhores shows do 1º fim de semana do Rock in Rio
O Estadão acompanhou todos os quatro dias do festival e preparou uma lista dos cinco melhores e três piores shows até agora. A partir de sexta, 11, o Rock in Rio volta à Cidade do Rock com apresentações de nomes como Stray Kids, Maroon 5, Demi Lovato e Twenty One Pilots.
Elton John
O astro pop já estava aposentado das grandes turnês, mas abriu uma exceção para voltar ao Brasil pela oitava vez e se apresentar no Rock in Rio pela terceira. John deixou a todos impressionados com sua disposição para um show de mais de duas horas sem demonstração de cansaço. Sua voz e sua habilidade nas teclas do piano continuam as mesmas. O cantor privilegiou seus grandes clássicos da carreira, como Saturday Night's Alright, Sacrifice e Rocket Man. Deixou ainda uma cena dessas que entram para a história do festival: o público cantando e batendo palmas puxadas por ele em Crocodile Rock.
Jon Batiste
Sempre imprevisível, o cantor teve o público - nem todo de fãs - nas mãos com facilidade. Desfilou sua habilidade como multi-instrumentista, tocou Mas Que Nada e Chega de Saudade e chamou a bailarina carioca Ingrid Silva para subir no palco. Provou que ostenta com propriedade a sucessão de Sam Cooke e Marvin Gaye e que sustentou o peso de se apresentar no Palco Mundo antes de Gilberto Gil e Elton John.
Péricles
Péricles subiu ao Palco Sunset para um show cantando clássicos da Motown. Foi de Jackson 5 a Lionel Richie e reuniu um dos maiores públicos da segunda-feira, dia 7. Sempre afinado e com a voz encaixada perfeitamente em todas as músicas, mostrou que tem presença de palco e que pode cantar no gênero que quiser.
Black Eyed Peas
Com uma expectativa para a presença de Fergie, que não se cumpriu, a banda compensou a "frustração" com afagos ao Brasil. O show teve Papatinho - que lançou uma música com will.i.am - no palco, homenagem a Sergio Mendes e, claro, um setlist só de hits. Os integrantes will.i.am, apl.de.ap e Taboo mantiveram o público nas mãos, que recebeu bem a cantora J. Rey Soul, que faz as vezes de Fergie.
Roupa Nova
O Roupa Nova e seu convidado especial Guilherme Arantes entregaram um dos shows mais dançantes do primeiro fim de semana do Rock in Rio. Com hits e músicas que embalaram as trilhas de diversas novelas nas últimas quatro décadas, eles reuniram um público bem grande no Palco Sunset, que cantou junto a plenos pulmões sucessos como Dona e Whisky a Go-Go. Embora tenha gravado a versão original da canção-tema do Rock in Rio em 1985, a banda só havia participado do festival uma vez, em 1991. Guilherme Arantes, por sua vez, nunca tinha participado.
Foo Fighters
Já no primeiro dia de Rock in Rio, Foo Fighters subiu ao palco do festival para dar tudo o que se espera de uma grande banda e um arroz com feijão bem-feito no rock. O festival esperava havia sete anos para ver o vigoroso — e longo — show da banda novamente. Foram quase duas horas no palco.
Os piores shows do 1º fim de semana do Rock in Rio
mgk
Apesar de ter se esforçado com um setlist mais pop punk do que pop, mgk, conhecido também como Machine Gun Kelly, pareceu deslocado na segunda data do festival, o dia do metal, ancorada por Avenged Sevenfold. Gun Kelly tocou depois da banda Sepultura, que fez sua despedida do Rock in Rio, e antes do ótimo show do grupo Bring Me The Horizon.
Com uma recepção negativa da plateia, rolou até um desabafo: "Eu sei que há algumas pessoas na plateia que não entendem por que estamos aqui. Mas eu estou aqui pelos meus fãs. E estou aqui para te tornar um fã. Só existem dois gêneros musicais: música boa e música ruim. Então eu estou aqui como uma criança vivendo o seu sonho, e venho aqui com amor. Mesmo que vocês não me amem, eu amo vocês", disse o cantor.
Calvin Harris
O DJ escocês, que causou tumulto no carnaval de São Paulo, se apresentou debaixo de muita chuva, que caiu sobre o festival o dia todo, em sua estreia no Rock in Rio. Com uma hora de apresentação, já era possível ver uma grande parcela do público deixando a Cidade do Rock.
Harris explorou o enorme telão do Palco Mundo com pouca criatividade. O DJ, na maior parte do tempo, apenas projetou sua imagem ou a do público. Na parte de cima, a inscrição Rock in Rio ficou fixa o tempo todo. Foi, de fato, a balada do festival.
Luísa Sonza
A cantora se apresentou pela terceira vez consecutiva no festival. A repetição de sua escalação pesou para que seu show despertasse menos interesse do público. A cantora tem dificuldade em furar a bolha de seus fãs e atingir novos admiradores. A escalação de Roberto Menescal para uma homenagem à bossa nova ficou deslocada — enquanto isso, Joyce Moreno, Leila Pinheiro e Fernanda Takai acertavam em cheio no gênero no Palco Village, para uma plateia menor, mas realmente interessada em assisti-las.