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Os 9 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Josh Homme

Em entrevista, o fundador do Queens of the Stone Age revelou as obras que moldaram seu gosto musical

29 set 2026 - 10h38
Resumo
Josh Homme, líder do Queens of the Stone Age, revelou os nove álbuns que moldaram sua identidade musical, marcada pela recusa a rótulos de gênero. Sua eclética seleção une o punk visceral de GBH, Black Flag, Nirvana e a coletânea Eastern Front à sensibilidade de Jackson Browne. O impacto decisivo de Iggy Pop e Stooges divide espaço com o krautrock do Can, a vanguarda eletrônica de Björk e a ousadia do Ween, sintetizando as diversas influências que definem o som singular de sua carreira no rock.

Josh Homme não acredita em gêneros. Para o fundador e único integrante constante do Queens of the Stone Age, nascido em 1973, no deserto da Califórnia, e criado entre fazendas, apresentações de punk em um estacionamento e fitas cassete tocando no banco traseiro do carro dos pais, categorizar a música é uma preocupação de adolescentes e funcionários de lojas de discos. "Quem sou eu para fingir que não gosto de 'Toxic', da Britney Spears? Um idiota?", disse certa vez.

Josh Homme, do Queens of the Stone Age, no Helsinki Ice Hall, em agosto de 2025
Josh Homme, do Queens of the Stone Age, no Helsinki Ice Hall, em agosto de 2025
Foto: Venla Shalin/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Essa abertura irrestrita está no centro de uma lista de favoritos que reúne punk furioso, experimentalismo europeu, canção autoral norte-americana e uma das bandas mais subestimadas dos anos 1990. Em entrevista à Spin (via Far Out Magazine), em 2003, ele revelou os nove álbuns que ajudaram a definir sua identidade musical.

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O primeiro da lista talvez seja o mais surpreendente: Running on Empty (1977), de Jackson Browne. "Descobri esse disco quando tinha oito anos. Era uma constante com meu pai e continua sendo", contou Homme. "Penso nas centenas de vezes em que o ouvi e percebo que também estou condenado a viver na estrada. Mas é uma bela maldição". Em seguida vêm dois marcos do punk: City Baby Attacked by Rats (1982), do GBH, e My War (1984), do Black Flag, trabalhos que moldaram o senso de urgência e agressividade presente em toda a discografia do QOTSA. Para quem cresceu no início dos anos 1990, uma banda parecia dar continuidade ao legado desses grupos, e Homme não ficou imune a essa onda.

Sua escolha do Nirvana, porém, foi a menos óbvia possível: Bleach (1989), a estreia crua e de baixo orçamento lançada pela Sub Pop, em vez dos fenômenos de vendas Nevermind (1991) e In Utero (1993). "Parecia que o punk rock tinha morrido, e eu achava que o Nirvana estava retomando o ponto em que Black Flag e GBH haviam parado".

Um disco, porém, mudou o rumo da carreira de Homme de maneira mais radical do que qualquer outro: Lust for Life (1977), de Iggy Pop. "Ouvi esse disco, e ele me fez sair do Kyuss", declarou. "Fiquei obcecado por dois anos e meio. No fim, pensei: existem bandas demais no mundo e, se você quiser saber o que tenho a dizer, basta ouvir esse disco". A obsessão por Iggy também o levou de volta a Raw Power (1973), dos Stooges — que considera "o disco mais insano já gravado". A abertura intelectual provocada por Iggy ainda criou espaço para escolhas menos convencionais: Cannibalism (1978), do Can, compilação do grupo alemão de krautrock que influenciou diretamente o senso rítmico maquinal do QOTSA; e Homogenic (1997), de Björk, obra de eletrônica orquestral que Homme costuma citar como exemplo de como a produção pode funcionar como um instrumento por si só.

A escolha mais inesperada, no entanto, é Chocolate and Cheese (1994), do Ween — dupla experimental da Pensilvânia que Homme conheceu ainda nos tempos do Kyuss, quando sua banda abriu uma turnê do grupo. "O Ween é muito subestimado. Eles têm uma arrogância casual e um desrespeito pelos gêneros", afirmou. "Chocolate and Cheese traz saltos de composição esquizofrênicos e ecléticos, mas o Ween nunca diz: 'É só brincadeira'. Quando percebi que eles não estavam brincando, foi assustador". A lista inclui ainda uma raridade: Eastern Front, Vol. II (1980), coletânea de punk do Leste Europeu que revela o interesse de Homme por música distante do radar comercial.

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Ao todo, são nove álbuns que ajudam a explicar como um garoto do deserto californiano construiu um dos sons mais singulares do rock moderno.

Os nove álbuns favoritos de Josh Homme

  • Jackson Browne — Running on Empty
  • Coletânea — Eastern Front, Vol. II
  • GBH — City Baby Attacked by Rats
  • Black Flag — My War
  • Nirvana — Bleach
  • Iggy Pop — Lust for Life
  • Can — Cannibalism
  • Björk — Homogenic
  • Ween — Chocolate and Cheese
Rolling Stone Brasil
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