Após viralizar no TikTok em 2020 e emplacar sucessos pop com os álbuns TV e HDTV, Tai Verdes preparava o encerramento de sua trilogia com o aguardado disco 4K. Contudo, após divulgar cinco singles preparatórios até janeiro de 2024, o cantor apagou conteúdos de redes sociais e desapareceu do meio digital sem explicações formais. Apesar das expectativas dos fãs e de pistas ligadas a uma misteriosa produtora, o lançamento segue indefinido e o artista permanece em completo e atípico silêncio.
Em junho de 2020, Tai Verdes morava no sofá de um amigo e trabalhava em uma loja de celulares quando lançou "Stuck in the Middle" no TikTok. A música viralizou, a fama chegou e, em poucos meses, ele passou de vendedor de telefones a um dos nomes mais promissores do pop americano. A velocidade foi tão absurda que o próprio cantor disse, na época, que o sucesso não chegava da forma que as pessoas imaginavam — que virava, antes de qualquer coisa, espera. Seis anos depois, a frase ganhou um sentido que ele provavelmente não imaginava: agora, quem espera são os fãs.
O projeto de Tai Verdes sempre teve uma lógica interna clara: TV (2021), depois HDTV (2022) — uma trilogia de resolução crescente, na qual cada disco aprofundava a sonoridade e a narrativa do anterior. Em maio de 2023, ele confirmou no próprio X o que os fãs já intuíram: "4K vai ser o último capítulo da trilogia. Obrigado por assistir a cada episódio nos últimos três anos". A partir daí, começou o lançamento. A partir daí, começou o rollout, junto com os singles: "Sandman" (junho de 2023), "All White" (agosto de 2023), "Sunset" (outubro de 2023), "Stars" (dezembro de 2023) e "Pipe Down" (janeiro de 2024), todos disponíveis nas plataformas. Depois de "Pipe Down"… silêncio.
Mas, para entender melhor como 4K deveria soar, vale revisitar a trajetória dos dois primeiros discos. TV é uma estreia generosa e cheia de personalidade: um álbum que circula com naturalidade entre violões acústicos, batidas próximas do hip hop e uma pegada blueseira nos momentos mais melancólicos — tudo envolto naquela sonoridade solar, levemente lo-fi, que virou marca registrada de Tai Verdes. Trompetes aparecem aqui e ali, adicionando um toque quase jazzístico; o piano ganha espaço nas partes mais confessionais; e o disco muda de roupa a cada faixa sem perder a voz de quem o canta. A grande mágica é essa: Tai Verdes parte de sentimentos muito específicos do cotidiano — o "ficando sério" de "Stuck in the Middle", a imaginação que corre longe demais em "we would have some cute kids", a estranheza de ficar parado enquanto todo mundo avança em "rEaL WOrLD" — e transforma tudo em algo que qualquer ouvinte reconhece como seu, culminando em "A-O-K": a síntese simples — e irresistivelmente contagiosa — da vontade de acreditar que tudo vai ficar bem, uma das canções mais marcantes do pop americano dos anos 2020.
HDTV no ano seguinte resolveu parte das equações deixadas em aberto pela estreia. Com 20 faixas, o projeto aprofundou a sonoridade e trouxe instrumentação orquestral, saxofone e metais — uma ambição que ficou clara na comparação entre os dois discos. É musicalmente mais maduro e polido que o anterior, mas sem deixar de lado o carisma do cantor. Faixas como "sheluvme" e "TWO SUGARS" mostravam um artista em expansão, capaz de atravessar gêneros sem perder o próprio acento. A última faixa, "in this movie", era deliberadamente cinematográfica, um sinal de que o próximo capítulo seria diferente.
Os singles lançados entre 2023 e 2024 confirmavam essa direção. "Sandman" e "Sunset" traziam uma qualidade mais introspectiva e noturna, menos solar do que os hits anteriores. "All White" e "Stars" sugeriam um Tai Verdes mais contido, apostando em arranjos minimalistas e letras com mais peso emocional. "Pipe Down", o último single, lançado em janeiro de 2024, soava como alguém que tinha se afastado do barulho para tentar encontrar um silêncio específico. Não sabia, talvez, que esse silêncio duraria tanto.
E não é aquele tipo de silêncio estratégico quse artistas costumam adotar antes de um grande anúncio. No começo, até parecia ser; mas depois, virou uma ausência real. O perfil no Instagram parou, os TikToks foram apagados e, sem qualquer comunicado oficial, os fãs notaram — enquanto vídeos sobre o desaparecimento acumulavam milhares de curtidas na plataforma. O único sinal de vida digital está num detalhe que passou despercebido pela maioria: o perfil público de Tai Verdes no Instagram segue apenas uma conta, @montaigneway — que, por sua vez, segue apenas ele de volta. O site dessa conta exibe apenas um espiral azul e as palavras "MONTAIGNE WAY PRODUCTIONS", sem mais nenhuma informação. Numa entrevista de 2023 à Variance Magazine, Tai Verdes fez uma referência rápida à sua própria empresa de produção, dizendo: "Tecnicamente, eles teriam que falar com minha empresa de produção, como se eu fosse agora a Viacom." Ele não deu o nome. Pode ser coincidência, pode, mas só se sabe disso.. (É bem provável que mantenha um perfil privado em alguma rede — prática comum entre artistas que querem se desconectar sem apagar tudo, como SZA e Don Toliver —, mas ninguém descobriu o @.)
Antes de desaparecer, Tai Verdes era o tipo de artista que fazia lives, mostrava prévias de músicas e interagia com fãs de forma genuína. Não era alguém que cultivava o mistério, como Playboi Carti e seus amigos de gravadora, por exemplo. Ele parecia, de verdade, gostar de estar online. A mudança foi brusca — sem post de despedida, sem "preciso de um tempo", sem explicação. Um dia lançava single; no outro, sumiu.
4K existe em algum lugar. O Album of the Year, por exemplo, lista o disco na discografia do artista. O tweet de 2023 continua lá. Os singles de aquecimento seguem nas plataformas. Tudo indica que o projeto foi construído — e que, por algum motivo que só Tai Verdes conhece, não aconteceu.
Pode ser uma questão com a gravadora, pode ser algo pessoal, pode ser que o disco ainda venha, e que o sumiço seja o jeito dele de se preparar. Ou pode ser que a trilogia tenha ficado incompleta de propósito, por razões que só farão sentido quando — e se — ele resolver falar. Por enquanto, a última resolução disponível é HDTV. E o 4K prometido segue suspenso, em algum lugar entre o anúncio e o silêncio. Uma pena!