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Morre Laura Cardoso, grande dama da dramaturgia brasileira, aos 98 anos

Atriz nascida no Bixiga, em São Paulo, morreu na noite desta segunda-feira, 17, em casa, de causas naturais

18 ago 2026 - 09h19

Laura Cardoso morreu na noite desta segunda, 17, em sua casa, em São Paulo, de causas naturais. Ela tinha 98 anos. A notícia foi divulgada na madrugada desta terça, 18, pelo bisneto da atriz, Fernando Faria, responsável pelo perfil dela no Instagram.

Atriz Laura Cardoso morre aos 98 em São Paulo após mais de 80 anos de carreira no rádio TV teatro e cinema deixando legado na dramaturgia
Atriz Laura Cardoso morre aos 98 em São Paulo após mais de 80 anos de carreira no rádio TV teatro e cinema deixando legado na dramaturgia
Foto: Reprodução/Instagram / Rolling Stone Brasil

O velório acontece nesta terça, 18, das 8h às 14h, na Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, em cerimônia fechada ao público. A atriz deixa duas filhas, Fernanda e Fátima, e três netos.

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Laurinda de Jesus Cardoso nasceu em 1927 no Bixiga, bairro tradicional de São Paulo, em uma família de imigrantes portugueses. Adotou o nome artístico Laura Cardoso por considerá-lo mais adequado para o rádio — e foi justamente no radioteatro que a carreira começou, aos 15 anos. Em 1952, estreou na televisão com Tribunal do Coração, na recém-inaugurada TV Tupi, tornando-se uma das pioneiras da dramaturgia televisiva brasileira. A partir dos anos 1980, foi contratada pela TV Globo, onde construiu uma trajetória longeva e chegou a ter contrato vitalício com a emissora.

Ao longo de mais de 80 anos de carreira, acumulou mais de 100 trabalhos e participou de mais de 60 novelas. Entre os personagens mais marcantes estão Isaura, mãe de Ruth e Raquel em Mulheres de Areia (1993), e Guiomar, de A Viagem (1994). No cinema, participou de produções como Terra Estrangeira (1995) e Através da Janela (2000), filme pelo qual ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami. No teatro, esteve em montagens como A Megera Domada (1965) e Laranja Mecânica (2002). Na dublagem, emprestou a voz à personagem Betty, de Os Flintstones, nos anos 1960. A trajetória rendeu cinco prêmios Grande Otelo e a Ordem do Mérito Cultural, em 2006.

Mesmo afastada das novelas desde 2019 — quando interpretou Matilde Azevedo em A Dona do Pedaço (2019), seu último papel na televisão —, Laura Cardoso nunca deixou de trabalhar. Em 2025, participou do curta-metragem Dona Rosinha (2025), gravou a vinheta de fim de ano da TV Globo ao lado de colegas como Tony Ramos e Susana Vieira e esteve presente na inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, em outubro.

Laura Cardoso também era conhecida pela leveza com que encarava a própria finitude. Em entrevista à revista Quem (via Itatiaia), em 2019, foi direta: "É uma besteira ter medo da morte. Ela é imprevisível, mas inevitável. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora".

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