Nascido no interior de São Paulo, Thiaguinho cresceu em Ponta Porã (MS) e conta que não teve acesso a muitas manifestações da cultura preta quando estava crescendo, a não ser o samba. Hoje, com 43 anos e após se tornar pai, o artista quer usar a visibilidade e voz que conquistou com a música para também levar mais conhecimento sobre a cultura negra para todos os brasileiros, como pretende fazer com seu novo documentário.
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Thiaguinho lança nesta quarta-feira, 13, o documentário Raízes no YouTube. A produção foi gravada em Angola e mostra como o ritmo musical semba, trazido ao Brasil por africanos escravizados, deu origem ao samba, além de contar com depoimentos de sambistas famosos e cenas de bastidores da passagem do Tardezinha pelo país.
"A gente que vive de samba, quando pisa em qualquer palco do Brasil, está representando a música preta por si só. Com a maturidade, entendi mais a minha responsabilidade enquanto artista preto", diz o cantor em entrevista ao Terra.
O artista conta que se apaixonou por Angola na primeira vez que foi ao país e que teve a ideia de mostrar mais como a cultura angolana influenciou a brasileira. "Pouca coisa é ensinada no Brasil em relação ao continente africano, principalmente na escola. A gente se aprofunda na história de vários países e continentes, mas a gente sabe pouco do continente africano. Quando fui para lá pela primeira vez, me impressionou o quanto de semelhanças há entre Brasil e Angola e o quanto de coisa que a gente faz aqui sem perceber que são coisas angolanas, como a comida, palavras e o samba, principalmente."
Thiaguinho conta que cresceu com muita vontade de "ser um dos sambistas do Brasil" e entendeu, para isso, precisaria entender a história do samba, ainda mais por viver em uma cidade que não tinha essa cultura tão forte. "Mergulhei no samba que era possível, dos anos 1990 e dos anos 2000, que depois vim a fazer parte, mas sempre fui muito estudioso em relação ao samba. Continuo sendo."
Porém, o desejo de explorar mais o semba veio mais tarde, após ele viajar à África pela primeira vez. Na viagem para produzir o documentário, ele se debruçou sobre o ritmo musical que originou o samba, se impressionou ao descobrir que instrumentos musicais usados no Brasil vêm de Angola e que a cultura das rodas de samba também é muito similar ao que é feito do outro lado do oceano. Tudo isso o inspirou para criar uma música que ainda espera lançar e também para compartilhar isso com o maior número de pessoas possível, inclusive para as próximas gerações, como a do filho, Bento, do casamento com Carol Peixinho.
"A paternidade desperta algo ainda mais forte em mim. Sei que estou criando em casa um menino negro que, infelizmente, vai passar por tudo o que passei. Além de prepará-lo, faço minha função musical na vida de outros meninos e meninas que me acompanham e crescem ouvindo as minhas músicas", conclui Thiaguinho.