Poucos escritores brasileiros ajudaram tanto a transformar a música popular em literatura quanto Ruy Castro. Ao longo de mais de três décadas, o autor construiu uma obra marcada pela investigação de personagens, movimentos culturais e períodos históricos fundamentais para a formação da identidade brasileira, especialmente ligados ao samba, à bossa nova e à vida cultural do Rio de Janeiro.
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Livros como Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova, A noite do meu bem: A história e as histórias do samba-canção e O Ouvidor do Brasil: 99 Vezes Tom Jobim consolidaram o escritor como um dos principais cronistas da música brasileira. Esta última obra é ponto de partida para o encontro desta quarta-feira, 13, no Clube de Leitura do CCBB, no Rio de Janeiro, ao lado de Heloisa Seixas. A edição é dedicada ao tema "Biografia & Memória".
Na obra vencedora do Jabuti de Livro do Ano em 2025, o escritor reúne episódios, bastidores e memórias envolvendo Tom Jobim, em textos que transitam entre biografia, crônica e reconstrução histórica. Segundo Ruy, o interesse por esse tipo de narrativa nasce da curiosidade sobre quem existe além da figura pública: escrever sobre artistas significa entender o personagem "por trás do microfone, do piano, da câmera ou da caneta".
"É decorrente de uma curiosidade pessoal minha", diz ao Terra. "É o que faz um sujeito querer ser biógrafo, mesmo quando não está escrevendo uma biografia propriamente dita, como é o caso de O ouvidor do Brasil. Talvez seja uma biografia em retalhos".
Nova obra, Eu gosto de música — Samba, Carnaval, bossa nova e todo aquele jazz, será lançada em julho
A música brasileira segue ocupando lugar central em seus projetos. Previsto para julho pela Companhia das Letras, o novo livro Eu gosto de música — Samba, Carnaval, bossa nova e todo aquele jazz reunirá textos curtos sobre artistas e episódios ligados à música popular brasileira e internacional. "Todas contam uma história engraçada ou de forma engraçada. E quero crer que todas sejam úteis e informativas", antecipa.
Ao revisitar períodos como a explosão da bossa nova, a era do samba-canção e a efervescência cultural carioca do século passado, o autor identifica um elemento comum entre essas histórias: " a fabulosa criatividade de tantos brasileiros num país que lhes dá tão poucas oportunidades de exercer essa criatividade".
"A primeira coisa é saber se tenho admiração pela obra deles e curiosidade sobre suas pessoas. Tudo parte daí", revela sobre seu processo criativo e a seleção de personagens que aparecerão em sua obra.
Clube de leitura no Rio
A participação no Clube de Leitura do CCBB também reforça a relação construída ao longo dos anos com leitores de diferentes gerações. Ruy afirma que ainda se admira ao encontrar públicos tão diversos interessados em suas obras.
"É sempre uma surpresa ser procurado por pessoas de idades, experiência e interesses tão diferentes. Mas elas parecem ter todas uma coisa em comum: a ânsia por aprender. E fico orgulhoso de ter a oportunidade de ensinar", afirma.
Na avaliação do escritor, espaços como clubes de leitura ganham ainda mais importância em tempos de consumo rápido de conteúdo. "Quem participa de um clube de leitura já é uma pessoa especial, que não se interessa por esse consumo rápido e burro", finaliza.
O evento desta terça-feira terá mediação de Suzana Vargas e Ramón Nunes Mello, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos na bilheteria do CCBB ou pelo site.