Kanye West revelou a origem do título do seu mais novo álbum, Bully, e a história vem de casa. Em entrevista ao podcast The Download, com Justin LaBoy, o rapper contou que o nome do projeto foi inspirado no comportamento do filho Saint West, de 9 anos, depois de testemunhar uma cena que o surpreendeu durante uma brincadeira.
Segundo Ye, Saint — que também aparece na capa do projeto — chutou outra criança enquanto brincava. Quando o pai perguntou por quê, a resposta do filho foi direta: "Porque ele é fraco". O rapper disse ter ficado chocado com a naturalidade da resposta. "Falei para mim mesmo: esse cara é realmente um bully", contou.
E assim, o momento virou combustível criativo. Kanye em uma de suas músicas, "No More Parties In LA", de The Life of Pablo (2016), descreve Saint com uma mistura de preocupação e orgulho paterno: "Eu fico preocupado com minha filha, fico preocupado com a Kim, mas o Saint? Esse é o baby Ye. Não fico preocupado com ele".
Os filhos têm sido presença constante no processo criativo de Kanye neste ciclo. Além da influência de Saint no título, a filha mais velha, North West, também teve papel importante no projeto. Ela participou da produção de "Punch Drunk", faixa de Bully e de "Talking", de Vultures (2014). Além disso, o rapper afirmou que North o fez "amar música de novo".
Sobre Bully
Sempre houve uma linha invisível separando Kanye West, de Ye. Mas parece que essa divisória se enfraqueceu. Não o suficiente para o "antigo Kanye" estar 100% de volta, mas de um jeito que fez com que os dois entrassem em acordo.
Aqui, o rapper volta a produzir de verdade, com camadas interessantes, samples bem escolhidos e baterias que batem forte. "King" abre o álbum com Duke Edwards coroando Kanye como Rei antes dele assumir o papel de Vilão e resumir esses últimos anos do rapper. Há também momentos em que West volta a rimar de verdade. "Preacher Man", por exemplo, usa sample de The Moments ("To You With Love") e entrega um dos flows mais afiados do álbum, ele rima sobre traição, lealdade, sobre manter postura mesmo sendo gravado. Após anos ouvindo frases murmuradas por cima de beats desperdiçados, é quase chocante ouvir esforço real, intenção clara, versos que começam e terminam em algum lugar.
Bully é um álbum bom, mas se Kanye tivesse dedicado mais duas semanas ao acabamento, revisado a mixagem, eliminado a IA e expandido as faixas curtas, seria um projeto mais sólido. Mas não fez. Então o que fica é um disco divertido, quase nostálgico, com jóias espalhadas, que poderia ser melhor. Não é o bastante para apagar os últimos cinco anos ruins. Não é o bastante para fazer esquecer as polêmicas. Mas é o suficiente para lembrar por que tanta gente ainda o aprecia. E, considerando de onde ele vinha, isso já é alguma coisa.