No início dos anos 2000, quando a Euro Dance Music (EDM), começava a dar sinais de desgaste, o trio alemão Cascada surgiu como um fenômeno que renovou o interesse no gênero e o lançou novamente ao mainstream. Originalmente formado por Natalie Horler, DJ Manian e Yanou, o grupo fez enorme sucesso com faixas como Miracle, Every Time We Touch, Evacuate The Dance Floor, entre outros. O sucesso foi tanto que eles venderam milhares de discos, foram ao topo das paradas e até concorreram por Melhor Clipe no MTV Video Music Awards – infelizmente, naquele ano, perderam para Bad Romance de Lady Gaga.
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Atualmente, comandado apenas pela vocalista Natalie Horler, o projeto continua em atividade e se prepara para fazer sua primeira apresentação no Brasil, no Klompexo Templo, em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao Terra, a estrela da euromusic falou sobre os planos para o primeiro show no País, desafios ao longo dos 20 anos de carreira, acertos e arrependimentos, além de vida pessoal. Confira a entrevista:
Terra: Será sua primeira vez no Brasil. Fale sobre isso.
Cascada: "Estou tão animada. Nunca estive no Brasil nem a passeio, será a primeira vez. Estou muito animada, sempre foi um sonho poder tocar e fazer um show aí. É um sonho que se realiza, o que chamamos de “bucket list”, sabe, uma daquelas coisas que você quer riscar da lista na vida. Espero que não seja a última vez, mas, por enquanto, estou muito feliz de ir pela primeira vez.
Terra: O público brasileiro é conhecido pela animação. Já ouviu falar dessa fama?
Cascada: "Eu adoro isso e espero que todo mundo esteja com um ótimo astral, porque, obviamente, acho que as pessoas que vão nos ver devem ser grandes fãs, já que não conseguimos ir ao Brasil antes e já se passaram 20 anos [desde que começamos]. Espero que seja uma noite muito divertida e feliz para todo mundo, que a gente se divirta muito. Eu e meus dançarinos, quando estamos no palco, nosso principal objetivo é fazer com que todos se divirtam muito. Temos uma energia muito alta, a música também é muito energética, acho que vai ser incrível. Tenho grandes expectativas de que seja a melhor noite de todas".
Terra: O que você está preparando para a grande noite?
Cascada: "Ainda faltam alguns meses, claro, e agora a temporada de festivais vai começar, o verão também, mas vou pensar no que pode ser especial para o público brasileiro. No momento, nem sei os detalhes ainda, como quanto tempo vou poder tocar — eu adoraria tocar o máximo possível. Uma coisa que já estou começando a pensar é no figurino, que tipo de roupa quero usar na apresentação, porque é algo especial, já que é a primeira vez no Brasil. Aos poucos, essas ideias vão se formando".
Terra: Me fala sobre sua conexão com os fãs brasileiros...
Cascada: "Eu tento manter uma certa distância nesse sentido, sabe? Não converso por mensagem privada com fãs. Mas eu leio tudo, vejo todos os comentários. No Instagram, por exemplo, se você vê alguém respondendo, sou eu mesma — não tem outra pessoa fazendo isso por mim. Eu leio tudo que as pessoas escrevem e adoro isso. Gosto de me sentir próxima dos fãs, porque eles são a razão de eu estar aqui hoje. Então sempre levo isso comigo com muita gratidão".
Terra: Tem alguns meses até o show no Brasil, até lá teremos música nova?
Cascada: "Para ser honesta, ainda vamos ver. Estamos trabalhando em muita música nova agora, em novos lançamentos, então vai sair bastante coisa este ano. Mas nada está 100% definido em termos de datas, então vamos ver o que acontece até o dia 3 de junho. Pode ser que tenha alguma surpresa nova, com certeza, mas ainda não posso dizer muito".
Terra: Você está na estrada há 20 anos, descobriu como equilibrar a vida pessoal e profissional?
Cascada: "É bastante coisa. Faço isso há muito tempo, você precisa de uma rede de apoio. Tenho uma família incrível, pessoas que ajudam a cuidar da minha filha, incluindo meu marido. Às vezes é desafiador, porque sinto falta da minha família, mas amo o que faço, sou muito apaixonada. Tento não reclamar muito — é uma questão de equilíbrio. Você precisa de ajuda. Meus amigos próximos já me conhecem há muito tempo e entendem minha rotina. Eles sabem que não precisam me convidar para festas no sábado à noite. Eu não vou estar lá".
Terra: Sua filha te acompanha em shows, como lida com a maternidade?
Cascada: "Ela tem 10 anos, mas trabalho é trabalho. Sempre digo: alguém que trabalha em escritório levaria o filho para ficar ali durante reuniões? Não é algo que eu queira misturar. Ela já assistiu a alguns shows quando foram perto de casa, mas não viaja comigo em turnê. E tudo bem — ela tem escola, outras coisas para fazer além de acompanhar a mãe no trabalho. Ela tem muito orgulho de mim.
Terra: Sua filha entende que sua fama, seu trabalho?
Cascada: "Não totalmente, mas tudo bem. Isso não é o mais importante. Para ela, eu sou só a mãe".
Terra: Você costuma falar bastante de seu pai, como anda a relação com ele?
Cascada: "Sim, o curioso é que ele tem muito orgulho de mim, minha mãe também. Meu pai é músico de jazz, está aposentado, vai fazer 83 anos. A música nos conecta muito. Ele respeita o que eu faço e eu respeito muito o que ele sempre fez. Ele ainda toca trombone e compõe, então, mesmo mais velho, continua ativo. Eu o admiro muito".
Terra: Já pensou em tocar jazz, mudar um pouco os horizontes?
Cascada: "Já fiz isso quando era mais jovem. Meu pai gravava comigo no estúdio caseiro dele. No show de despedida dele, cantei com a [grande banda], em arranjo de jazz. Gosto muito de jazz, mas hoje não tenho tanto tempo para me dedicar mais a isso. Crescer com jazz em casa me ensinou muito. Sou muito grata por isso. E fizemos um álbum de Natal juntos — ele toca trombone em duas músicas.
Terra: E quanto a explorar outros gêneros?
Cascada: "Não me vejo fazendo rap tão cedo (risos). Mas o legal da música é que você pode incorporar elementos de outros estilos. Amo dance music e vou continuar nisso por enquanto, mas às vezes entram influências de rock, funk, jazz… Não vou mudar completamente meu estilo, mas posso experimentar coisas no meu tempo livre. Quem sabe eu grave uma balada um dia, só por diversão".
Terra: São 20 anos de estrada, o que a Natalie de hoje diria para a Natalie do começo?
Cascada: "Boa pergunta. Tento não me arrepender muito. Estou feliz com minha carreira. Quando você é jovem, ainda está construindo confiança e trabalha com pessoas mais dominantes. Eu diria para trabalhar muito — como sempre fiz — e não desistir. É uma indústria difícil, muita gente quer isso, mas poucos conseguem. Se você for forte, pode alcançar o que quiser".
Terra: Falando em arrependimento, você tem algum?
Cascada: "Não muito. Tem roupas que eu odeio hoje (risos). Mas não é só moda. Tem clipes que não gosto, músicas que lancei e nas quais nem acreditava tanto. Quando você é jovem, ouve 'isso é bom' e acredita. Hoje faria diferente. Mas faz parte do processo. Tudo isso nos molda".
Terra: Tem alguma música que cansou de cantar?
Cascada: "Não me cansei, mas há músicas que não consigo mais cantar ao vivo porque são muito agudas. Minha voz ficou mais grave com o tempo. 'Pyromania' é um exemplo — adoro a música, mas hoje é difícil de cantar. Mas sou muito grata por ainda cantar os grandes hits. Mesmo depois de 20 anos, é importante fazer o que os fãs querem ouvir. Se eu tiver que cantar 'Everytime We Touch' várias vezes, tudo bem.
Terra: Que mensagem você deixa para os fãs brasileiros?
Cascada: "Só posso agradecer. Não considero normal ainda estar em turnê após 20 anos, ver as pessoas ouvindo minha música, animadas com novos lançamentos. Ainda tenho muita vontade de continuar. Sou muito grata a cada fã. Mal posso esperar para conhecer os fãs brasileiros e fazer o show. Espero que venham muitos outros depois".