O Arch Enemy retorna ao Brasil, no fim deste mês, para um show especial. A banda sueca de death metal melódico se apresentará como atração principal do primeiro dia de Bangers Open Air, festival que ocorre nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo, com ingressos à venda via site Clube do Ingresso.
Sua entrada para o lineup ocorreu de modo bastante inesperado. A escalação do evento já estava toda fechada quando, em fevereiro, o Twisted Sister — que seria headliner em 25 de abril — cancelou seu show, devido a problemas de saúde do vocalista Dee Snider. Naquele momento, o Arch Enemy sequer tinha alguém nos vocais de modo oficial, pois, em novembro do ano passado, a cantora Alissa White-Gluz havia comunicado sua saída após mais de uma década na formação.
Mas deu tudo certo. Os remanescentes Michael Amott (guitarra), Daniel Erlandsson (bateria), Sharlee D'Angelo (baixo) e Joey Concepcion (guitarra) anunciaram logo em seguida que Lauren Hart, americana criada na Austrália e até então vocalista do Once Human, assumiria a vaga. Pouco tempo depois, lançaram a música "To the Last Breath", primeiro gostinho da nova formação — que, após uma série de shows na China e Japão, virá ao Brasil para a citada participação no Bangers.
Daniel Erlandsson, único membro além de Michael Amott a estar na banda desde a fundação em 1995 — apesar de um breve período fora entre 1997 e 1998 —, conversou com a Rolling Stone Brasil sobre o atual momento. O baterista:
- celebrou a entrada de Lauren Hart;
- mostrou-se empolgado com a nova fase da banda;
- explicou — ainda que de forma política — a saída de Alissa White-Gluz;
- comentou o fato de Angela Gossow — vocalista mais conhecida do grupo, antecessora de Alissa e hoje empresária dos ex-colegas de palco — ter considerado voltar;
- e comentou a recente polêmica com Kiko Loureiro, guitarrista brasileiro ex-Megadeth e Angra que apontou semelhanças entre "To the Last Breath" e uma música solo dele, lançada em 2024.
Entrevista com Daniel Erlandsson — Arch Enemy
Rolling Stone Brasil: Oi, Daniel!
Daniel Erlandsson: Como você está?
Estou ótimo. E você?
DE: Estou bem. Na verdade, estamos na China. Então, temos uma grande diferença de fuso horário entre nós. Acho que são 11 horas.
E como tem sido até agora? Quer dizer, poder fazer os primeiros shows com a Lauren Hart em um país diferente, onde vocês sempre vão, mas muitas bandas não vão.
DE: É, já estivemos aqui algumas vezes e desenvolvemos alguns contatos com produtores e tal. Então tivemos essa oportunidade de vir para cá. E tudo aconteceu muito rápido, essa turnê na China foi anunciada e aí, simplesmente fizemos e já estamos no meio dela. Também vamos ao Japão para três shows antes de irmos para o Brasil.
Antes de falar sobre o Arch Enemy, eu gostaria de saber um pouco sobre o seu relacionamento com as outras bandas no seu dia do Bangers Open Air. No mesmo dia, vocês tocam com In Flames, Black Label Society, Killswitch Engage, Jinjer, Fear Factory, entre outras bandas. Você é fã ou mantém amizade com alguma delas?
DE: Ah, sim! Somos muito amigos do In Flames. Fizemos uma grande turnê com eles na Europa no final de 2024. Com o Killswitch Engage também fizemos turnê. Conhecemos o Jinjer também. E, sabe, vai ser um monte de rostos familiares. Acho que é um lineup bem forte. Eu ficaria muito animado se pudesse ver todas essas bandas do Bangers.
Sei que é sempre difícil passar por uma mudança de integrantes, especialmente de vocalista. Mas como tem sido a recepção do público a Lauren Hart até agora — não só nos shows na China, mas no geral, pelas redes sociais?
DE: Acho que a resposta tem sido incrível. Eu não esperava que fosse tão boa, na verdade. Parece que os fãs realmente veem algo na Lauren que eles gostam muito e que se conecta um pouco com a Angela Gossow. O estilo dela é meio que, você sabe, parecido com o da Angela. E a resposta tem sido extremamente positiva. E agora estamos fazendo os primeiros shows também. E dá para perceber que a vibe, a atmosfera dentro da casa de shows é eletrizante, sabe? É muito legal. É quase como se estivéssemos começando uma nova era para a banda, o que é engraçado porque estamos tocando há, sei lá, 30 anos ou algo assim.
Eu ia te perguntar sobre isso, inclusive, pois gostaria de saber se… você acha que a chegada da Lauren representa um novo começo para a banda? Ou você vê como uma continuação do que foi feito nos últimos anos com a Alisa?
DE: Acho que estamos olhando para o futuro e imaginando que tipo de músicas podemos ter, o próximo álbum e assim por diante. Acho que estamos ansiosos por tudo e todos estão muito animados com isso. E como o interesse tem sido tão grande, estamos ansiosos para fazer muitas turnês, em primeiro lugar, e mostrar que ainda somos uma banda forte ao vivo, ou até melhor. Essa é a prioridade agora.
Sei que vocês estão olhando para o futuro, mas preciso perguntar, porque até agora os fãs não sabem ao certo as circunstâncias da saída da Alissa White-Gluz. Seria possível nos contar como e por que isso aconteceu?
DE: Sim, a história oficial é que ela saiu para seguir carreira solo, como ela mesma disse. Então, agora acho que ela formou a própria banda. Tivemos um relacionamento muito longo e duradouro, que chegou ao fim naturalmente. Foi bom e funcionou muito bem até que deixou de funcionar. E é tudo o que posso dizer sobre isso. Mas sinto que alguns fãs acham isso difícil de aceitar. Eu sei como é quando seu cantor favorito sai da banda, mas não há motivo para não gostar dos dois lados. Você ainda pode ser fã do Arch Enemy e da Alissa se esse for o caso, então acho que tudo vai acabar bem para todos.
Você esperava a saída da Alissa em algum momento? Era algo que você poderia ter previsto ou te pegou de surpresa?
DE: É meio difícil dizer. Era algo que você sentia que estava caminhando para um certo ponto. Tudo estava caminhando para um certo ponto. Quando finalmente aconteceu, não foi uma surpresa.
E como tem sido trabalhar com a Lauren agora? Qual é o clima com ela, e como ela é profissionalmente?
DE: Lauren está entrando para a banda favorita dela. Ela nos disse que Wages of Sin (2001) foi um álbum muito importante para ela — e foi esse álbum que a fez querer se tornar vocalista. E tivemos sorte de ela não estar em uma banda no momento. Ela ainda tinha uma banda chamada Once Human, mas eles não estavam muito ativos fazia alguns anos, então ela estava pronta para entrar quando entramos em contato com ela. Nós, como banda, estamos na ativa há muito tempo e fizemos muitas turnês pelo mundo, mas agora que ela está entrando e fazendo esses shows conosco, você consegue ver toda a experiência pelos olhos dela, sabe? Se é que isso faz sentido. Tudo é um pouco novo e fresco para ela, e isso traz uma certa frescura e positividade para a banda também.
Há planos para mais músicas novas além de "To the Last Breath", ou um novo álbum com a Lauren?
DE: Com certeza. Tudo aconteceu muito rápido quando ela entrou, sabe? Tivemos sorte de conseguir gravar aquela música até o fim. Agora temos essas turnês pela frente, mas a prioridade vai ser trabalhar em mais músicas — que ainda estão em estágio de desenvolvimento — e lançar um álbum. Definitivamente em algum momento, espero que até no ano que vem.
Houve uma postagem recente interessante da Angela nas redes sociais. Ela disse que considerou voltar para o Arch Enemy quando a Alissa saiu, mas acabou desistindo por causa da vida atual, da idade, dos filhos pequenos e do trabalho dela como empresária da banda. Apenas um exercício de imaginação: você já imaginou como seria se a Angela voltasse?
DE: Sim, claro. E eu entendo totalmente os fãs porque, durante todo esse processo online, muitos fãs acreditavam que ela realmente voltaria. Entendo isso porque também sou fã de outras bandas. Queremos ver nossos ídolos de volta às bandas. Mas a questão é que ela ficou realmente cansada de fazer turnês e decidiu fazer o que gosta ainda mais: ser empresária. E continua sendo assim. Não acho que ela gostaria mais da vida de turnê. E nós, os membros da banda, já sabemos disso. Sabemos que ela não ficaria feliz em fazer turnês. Então, anula a possibilidade. É meio estranho imaginar que os fãs imaginem que ela vai voltar quando sabemos disso. Não daria certo. Mas concordo que seria muito legal vê-la de volta ao palco.
Claro! Só estou perguntando porque ela mencionou em uma postagem nas redes sociais que considerou voltar. Ela de fato pensou nisso. Então, é algo diferente para se imaginar.
DE: Acho que ela ficou surpresa com toda a repercussão nas redes sociais, quando os fãs começaram a suspeitar que ela poderia voltar. Ela recebeu uma quantidade incrível de carinho de fãs do mundo todo. Acho que é por isso que ela realmente considerou seriamente a possibilidade.
Para minha última pergunta. Houve uma discussão online envolvendo o Arch Enemy nos últimos dias, por causa de uma postagem no Instagram de Kiko Loureiro, ex-guitarrista do Megadeth e do Angra. Ele disse que uma parte da nova música "To the Last Breath" é semelhante a uma das músicas dele. Michael reagiu bem, até fez piada na seção de comentários, mas Angela ficou um pouco chateada. Como vocês reagiram internamente a isso?
DE: É difícil responder porque eu sei a verdade e não estou nem um pouco preocupado com isso. Sinceramente, achei que era uma piada até, sei lá, ontem, porque está se tornando um grande assunto online e muita gente está falando sobre isso. Mas não estou preocupado com isso. Veremos como isso se desenrolará em alguns dias.
Já que foi meio que uma brincadeira… Kiko vai tocar um dia depois do Arch Enemy no Bangers Open Air. Há alguma chance de encontrá-lo nos bastidores para bater um papo e talvez acalmar a situação?
DE: Não é um festival tão grande assim. Provavelmente a gente vai se esbarrar, então vamos ver o que acontece.
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