Doja Cat faz simulacro dos anos 80 em show sem apelo em SP

Cantora fez única apresentação de sua turnê 'Ma Vie World' no Brasil nesta quinta, 5. Com era confusa, ela se saiu melhor quando foi ela mesma

6 fev 2026 - 01h09
(atualizado às 01h51)

Amala Ratna Zandile Dlamini, a Doja Cat, mergulhou de cabeça nos anos 1980 em seu último álbum, Vie. O disco encabeça sua atual turnê, a Ma Vie World, que teve sua única apresentação em São Paulo, no Suhai Music Hall, nesta quinta, 5.

Sem apelo, Doja não conseguiu esgotar nenhum dos setores da apresentação. A organização chegou até a fazer uma espécie de "saldão" de ingressos, com 60% de desconto.

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É fato que o caminho do rap feminino, no Brasil e no mundo, é tortuoso, mas também é fato que Vie não gerou nenhum mega hit para Doja, a mesma dona de Kiss Me More e Say So. É um de seus melhores álbuns - e deve arrebatar algumas indicações ao Grammy no ano que vem -, mas a cantora parece tê-lo lançado mais para abraçar sua fama de "celebridade relutante", tentando romper com o que já havia feito antes, do que para de fato inaugurar uma identidade.

Doja Cat fez único show de sua turnê 'Ma Vie' no Brasil nesta quinta, 5.
Doja Cat fez único show de sua turnê 'Ma Vie' no Brasil nesta quinta, 5.
Foto: Sabrina Legramandi/Estadão / Estadão

Vie usa e abusa de saxofones, grooves e sintetizadores - marca registrada de Jack Antonoff, um dos produtores. E, durante o show, Doja e sua banda usam e abusam de colãs, meia calça pink e mullets.

No palco, a cantora assume um ar de Madonna, com sobreposição de lingeries, com postura de Prince e Janet Jackson. As referências são boas, mas, sem uma narrativa bem definida, a apresentação parece mais um simulacro dos anos 1980 do que apenas Doja bebendo da fonte dos que vieram antes.

O setlist começa com o solo de saxofone de Cards, uma das melhores do último álbum, e um ato com todas as músicas - e até sucessos mais antigos da cantora, como Kiss Me More - com arranjos à la anos 80. Doja não deixa de lado suas marcas registradas: os olhos arregalados para se comunicar com a plateia, a ironia e as danças provocantes.

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E é indiscutível que a cantora se sai muito melhor quando é ela mesma. Impressiona com coreografias exigentes e com sua habilidade de migrar de vocais mais pop para a cadência do rap.

Mais perto da reta final do show, há uma sequência arrebatadora de Wet Vagina, WYM Freestyle, Demons e Tia Tamera. As três primeiras de um de seus álbuns com mais rap e letras afiadas, Scarlet (2023).

Nesse trecho, o melhor do show, os graves da caixa de som batem em sincronia com as luzes da apresentação. E Doja parece mais à vontade, ora com coreografias sexies no chão, ora com uma linguagem corporal de quem parece estar "possuída". Nada, porém, combina com a caracterização anos 1980.

Ela volta à época com AAAHHH! MEN! e retorna ainda mais atrás, em 1967, em um cover de I'm a Man, do Spencer Davis Group. Em seguida, encaixa outro sucesso explosivo, Boss Bitch.

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A cantora encerra o show com Jealous Type, single do último álbum. Chega a dar bronca em alguém da plateia por um momento de confusão após jogar uma bandeira do Brasil no público.

O show acaba, mas ela segue no palco. Tudo para distribuir rosas aos presentes, no mesmo estilo Roberto Carlos - coincidentemente, alguém que teve lá sua contribuição para os anos 1980 no Brasil. Quem sabe até Doja achasse engraçada a semelhança.

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