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Conheça as quatro espécies de insetos batizadas em homenagem a Taylor Swift

Nomeadas por uma entomologista da Universidade da Califórnia, Riverside (UCR), as espécies do gênero Swiftiephylus são encontradas na Austrália

9 set 2026 - 14h16
Resumo
A entomologista Sarah Schroeder, da Universidade da Califórnia, identificou quatro novas espécies de percevejos australianos e criou o gênero Swiftiephylus em homenagem à cantora Taylor Swift. Coletados há mais de 20 anos, os insetos receberam nomes inspirados na artista e em seus álbuns, como Lover e Fearless, motivados pelas manchas vermelhas que lembram o batom da cantora. O estudo reforça a importância da taxonomia diante da vasta biodiversidade do planeta que ainda permanece desconhecida.

Taylor Swift se tornou tão popular que já não se limita à espécie humana. Sarah Schroeder, uma entomologista (ciência dedicada ao estudo dos insetos) da Universidade da Califórnia, Riverside (UCR), batizou não apenas uma, mas quatro espécies de insetos em homenagem a Swift — criaturas tão distintas que foram classificadas em um gênero próprio: Swiftiephylus.

Taylor Swift
Taylor Swift
Foto: Divulgação / Rolling Stone Brasil

Os insetos receberam esses nomes "em reconhecimento a talento arrebatador, às letras comoventes e à alegria e conforto que [Swift] proporcionou a tantas pessoas", escreve Schroeder em seu novo estudo, publicado hoje na revista científica Insect Systematics & Evolution.

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Características

Esses insetos nativos da Austrália são pequenos, e exibem cores vivas que se destacam sob o microscópio. Eles pertencem a um grande grupo conhecido em inglês como "true bugs" (percevejos verdadeiros, que possuem dois pares de asas). O termo é usado na biologia para diferenciar os insetos que realmente fazem parte desse grupo daqueles chamados popularmente de "bugs" (como joaninhas, vaga-lumes ou besouros), mas que pertencem a outras ordens.

As novas espécies pertencem à maior família de percevejos verdadeiros do mundo, conhecida como Miridae (ou percevejos de plantas). Embora a pesquisa de Schroeder não tenha abordado aspectos comportamentais, percevejos como o Swiftiephylus têm vidas curtas e intensas, durando apenas um ou dois meses. Para se alimentar, eles inserem seu aparelho bucal nos caules e brotos das plantas, sugando a seiva, enquanto utilizam feromônios químicos para encontrar parceiros e se reproduzir. Na maior parte do tempo restante, eles ficam (metaforicamente) com as seis pernas cruzadas, torcendo para não serem detectados por predadores como pássaros ou lagartos.

Os percevejos do gênero Swiftiephylus parecem ser particularmente eficientes em evitar predadores, graças às suas manchas rosa-avermelhadas e ao corpo claro, que se camufla perfeitamente nas flores dos pinheiros-australianos. Essas árvores abrigam uma grande diversidade de insetos além do Swiftiephylus, tornando-se um ponto de encontro popular para essas criaturas.

Por que Taylor Swfit?

Quando Schroeder, de 27 anos, iniciou sua pesquisa em 2022, como doutoranda do primeiro ano, foram as cores das espécies de Swiftiephylus que a fizeram lembrar de sua estrela pop favorita; as manchas vermelhas remetiam ao batom vermelho característico de Taylor Swift. Na época, ela não imaginava quantas novas espécies descobriria.

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Sua orientadora e coautora, Christiane Weirauch, e outros cientistas haviam coletado 593 espécimes durante expedições à Austrália mais de 20 anos antes; desde então, o material permanecia em uma prateleira, aguardando análise. Weirauch os classificou em grupos de aparência semelhante, mas coube a Schroeder realizar análises minuciosas para determinar suas identidades. Ao comparar o DNA e as características físicas de todos os espécimes com aqueles já existentes em museus ao redor do mundo, Schroeder conseguiu identificar quatro espécies distintas, porém estreitamente relacionadas, que foram reunidas sob um mesmo gênero, batizado por ela de Swiftiephylus.

Mas a diversão estava apenas começando. Para a espécie que dá nome ao gênero — caracterizada por uma mancha vermelha no meio do dorso —, ela escolheu o nome Swiftiephylus taylorae; para as outras três, optou por nomes baseados nos álbuns de Swift: S. amator (do latim "amante") foi nomeada em homenagem ao álbum Lover (2019), descrito como sonhador, esperançoso e romântico; S. intrepidus faz referência ao álbum Fearless (2008); e S. poetorum homenageia The Tortured Poets Department (2024).

Embora existam diferenças sutis entre as espécies, todas as quatro compartilham uma característica marcante: a presença de espinhos próximos à extremidade do órgão genital. Ainda não se conhece a função exata desses espinhos durante o ato sexual; "alguém deveria congelá-los rapidamente enquanto estão em cópula e examinar as estruturas", diz Weirauch, referindo-se a uma prática amplamente aceita de congelar insetos durante o acasalamento para observar a movimentação das partes do corpo.

Para Schroeder, todo esse trabalho tem um significado profundamente pessoal. Ela cresceu em Rochester, Minnesota, frequentando ensaios de coral e estreitando laços com a mãe ao ouvir as músicas de Swift. Seu escritório está repleto de fotos de Swift e, no ano que vem, ela caminhará até o altar ao som da música "Enchanted". Poder unir seu amor pela música ao amor pela ciência e pelo mundo natural é especialmente gratificante. Embora a ciência seja frequentemente vista como fria e excessivamente lógica, para Schroeder, sua prática desperta humildade e apreço pela imensidão da natureza e pela imensidão do tempo.

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"Eu simplesmente adoro tentar descobrir o que existe por aí e o que aconteceu no passado. Qual é a diversidade existente que ainda nem conhecemos?", questiona.

O trabalho do entomologista

Há muitas outras espécies esperando para serem descobertas. Apesar dos milhões de dólares gastos por ano buscando vida em outros planetas, a humanidade só conseguiu catalogar e descrever formalmente cerca de 10% da biodiversidade da Terra. Estima-se que ainda existam entre 5 e 20 milhões de espécies de insetos que aguardam serem descobertas.

Diante de uma crise de biodiversidade provocada pelas alterações humanas no meio ambiente, muitas espécies ainda desconhecidas podem estar em risco — assim como o conhecimento sobre os papéis que elas desempenham, moldados por milhões de anos de evolução. "Sabemos tão pouco sobre esses insetos que, na verdade, não entendemos o que estamos perdendo", diz Weirauch.

Schroeder tem a missão de encontrar soluções. Ela faz parte de uma geração de jovens taxonomistas (biólogos especialistas em identificar e descrever espécies), que exigem respeito por sua área de atuação — o campo é frequentemente menosprezado por outros cientistas, que o classificam como meramente "descritivo".

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No entanto, quando Schroeder fala às pessoas sobre suas novas descobertas, elas demonstram grande interesse, provando o fascínio pela descoberta de novas espécies. "A reação é tipo: 'Meu Deus, você descobriu uma espécie nova!!'", conta. "Para [o público geral], é incrível saber que existem espécies ainda não descritas."

Rolling Stone Brasil
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