A plataforma de IA musical Suno lançou os modelos v6, treinados pela primeira vez com gravações licenciadas da Warner Music Group. A novidade decorre de um acordo que encerrou disputas judiciais de direitos autorais entre as empresas, permitindo futuras ferramentas para remixar faixas autorizadas. Avaliada em US$ 5,4 bilhões, a Suno também firmou parcerias com BMG e Believe, enquanto desativa versões antigas não licenciadas e ainda enfrenta processos movidos pela Sony e Universal Music.
A plataforma de geração de música por Inteligência Artificial Suno, que foi processada por grandes gravadoras por violação de direitos autorais em 2024, acaba de lançar um novo conjunto de modelos treinados com gravações licenciadas da Warner Music Group, a primeira grande gravadora a chegar a um acordo com a empresa.
Os novos modelos v6 são "treinados do zero com dados licenciados fornecidos por nossos parceiros, dados de usuários e, em seguida, com o acúmulo de todo o aprendizado adquirido", afirmou Jack Brody, diretor de produtos da Suno, à Rolling Stone. "É o primeiro modelo desenvolvido em parceria direta com a indústria."
Em uma postagem no blog lançada simultaneamente à novidade, Mikey Shulman, CEO da Suno, chamou o evento de "o início de um novo capítulo para a música". "É um modelo de como a IA e a indústria musical podem se fortalecer mutuamente e construir experiências de produto totalmente novas para artistas, fãs e a comunidade musical em geral", disse.
A empresa não revelou quantas músicas a WMG forneceu nem se os artistas optaram por participar do processo, e nenhum porta-voz da WMG se manifestou sobre o assunto. "Os dados fornecidos pela WMG foram resultado do processo deles", afirma Brody. "Não participamos da decisão sobre quais músicas eles nos entregaram." O catálogo de artistas da WMG inclui nomes como Don Toliver, Sombr e Miley Cyrus.
A próxima fase da parceria com a WMG dará aos usuários do Suno a capacidade de trabalhar, remixar e reinventar músicas já existentes. (O Spotify anunciou um projeto semelhante em desenvolvimento.) Esse produto, acrescentou Brody, incluirá apenas artistas que optarem por participar.
"A maneira errada de pensar sobre essa parceria é encará-la como um desejo de licenciar os dados para nossos modelos", ressalta. "Essa parceria é, na verdade, sobre desenvolver esses novos produtos no futuro."
Os novos modelos — que a Suno anuncia como "mais rápidos, capazes e criativos" — são fruto de um acordo firmado em novembro passado, quando a WMG desistiu do processo por violação de direitos autorais contra a Suno em troca de uma parceria de licenciamento com termos financeiros não divulgados.
A Universal Music Group e a Sony Music ainda estão processando a Suno e tentaram obrigar a plataforma a revelar detalhes do contrato com a WMG. Brody afirma que "não há nada a compartilhar neste momento" sobre possíveis negociações com essas gravadoras, embora considere o anúncio de hoje "o início de uma longa jornada, e esperamos que muitas outras parcerias venham por aí".
A empresa reconheceu que os modelos anteriores eram treinados com praticamente qualquer música de qualidade aceitável disponível na internet, defendendo esse método como uso "justo". Esses modelos estão sendo desativados, embora os usuários ainda tenham acesso às músicas que criaram com eles e possam usar o novo modelo para retrabalhá-las.
A Suno adicionará em breve mais músicas autorizadas aos seus dados de treinamento. A Bertelsmann Music Group, que não processou a Suno, assinou um acordo de licenciamento em agosto que abrange tanto suas gravações quanto seu catálogo editorial.
A Believe, proprietária da plataforma de distribuição TuneCore, firmou uma parceria com a Suno nesta terça, 8, meses depois de ter bloqueado a distribuição de músicas criadas pela plataforma e classificado-as como um "estúdio não licenciado". O acordo abre caminho para que artistas e gravadoras independentes "participantes" da TuneCore façam parte da parceria, segundo comunicado à imprensa.
No início de setembro, a Suno adicionou marcas d'água de áudio para que suas músicas possam ser identificadas fora da plataforma e estabeleceu limites mensais de downloads com o objetivo de desencorajar a sobrecarga dos serviços de streaming com faixas produzidas por IA. A empresa arrecadou US$ 400 milhões em junho, atingindo uma avaliação de US$ 5,4 bilhões, mais que o dobro do seu valor após a rodada de investimentos anterior, em novembro passado.
Brody argumentou que a versão 6 era a prova do argumento da Suno de que eles podem expandir o mercado musical existente em vez de prejudicá-lo. "Pessoas que nunca fizeram música antes começam a pagar pela Suno, não é como se parassem de pagar pelo Spotify", disse. "Elas simplesmente estão pagando por dois serviços de música agora, em vez de um. E assim o mercado tem crescido, e [hoje] marca o momento em que começamos a concretizar aquilo que sempre almejamos, que é expandir o mercado de forma que todos se beneficiem."