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C6 no Rock: Titãs, desregulado e aquém do que foi, não consegue fazer jus ao seu LP mais emblemático

Membros remanescentes da melhor banda de rock do Brasil tocaram 'Cabeça Dinossauro' na íntegra em festival que celebra discos clássicos do gênero

22 ago 2026 - 20h07
(atualizado às 22h51)
Resumo
No festival C6 no Rock, a formação atual dos Titãs, reduzida a Sergio Britto, Tony Bellotto e Branco Mello, apresentou na íntegra o clássico álbum "Cabeça Dinossauro". Embora o trio demonstre superação pessoal diante de recentes problemas de saúde, o show evidenciou a fragilidade do grupo sem os membros originais. Com arranjos desajustados e vocais limitados, a performance não fez jus ao peso histórico da obra, restando a Britto a tarefa de sustentar a apresentação.

O Titãs, em 2026, é uma banda frágil e aquém do que foi. O show realizado neste sábado, 22, no festival C6 no Rock, em São Paulo, foi prova disso e dizer o contrário seria mentir para os fãs e ser injusto com a história da melhor banda de rock do Brasil.

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Sem o talento e a presença de palco dos ex-integrantes Nando Reis, Arnaldo Antunes e Paulo Miklos (sem esquecer do baterista Charles Gavin, diga-se, e do saudoso Marcelo Fromer, que morreu em 2001), a versão atual do grupo é um pastiche. Para impor mais dificuldades a esse cenário desfavorável, os remanescentes Sergio Britto, Tony Bellotto e Branco Mello decidiram fazer uma turnê comemorativa tocando na íntegra o emblemático e fundamental LP Cabeça Dinossauro (1986).

Sérgio Britto em show dos Titãs no C6 no Rock; banda se apresentou no primeiro dia do novo festival
Sérgio Britto em show dos Titãs no C6 no Rock; banda se apresentou no primeiro dia do novo festival
Foto: C6 no Rock/Divulgação / Estadão

Eles subiram ao palco montado no Parque Ibirapuera após uma introdução que mostrava o documento de censura do governo militar sobre a música Bichos Escrotos, uma das faixas do disco. O registro foi mostrado a eles pelo Estadão durante uma entrevista realizada em março. Embora o País vivesse um período de transição democrática em 1986, as leis de censura ainda estavam vigentes.

E, claro, foi uma bem pensada abertura para o disco que chocou a sociedade brasileira ao protestar contra o establishment e suas diversas instituições: a igreja, a família, a polícia, o Estado violento, as dívidas e os homens retrógrados - "primatas" e com "cabeça de dinossauro, pança de mamute e espírito de porco". Exatamente pela contundência das letras, o álbum permanece vivo e relevante.

Bellotto e Mello enfrentaram duros tratamentos de saúde contra o câncer e merecem toda admiração por isso. Quem foi ao show esperando o Titãs das últimas décadas, porém, não encontrou. Se, por um lado, o trio não reproduz mais o ímpeto que a obra dos Titãs pede, por outro eles dão exemplo pessoal de superação - cantando, apesar das dificuldades, tocando e levantando fãs que acompanham a banda desde os tempos de formação completa.

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Bellotto, que nunca foi cantor, precisou assumir os vocais em Família e Estado Violência - em ambas, algo estava fora da ordem. Mello, que perdeu a voz por causa do tumor na garganta, se esforçou muito para entoar Flores, não pertencente ao Cabeça.

Até mesmo o hino Bichos Escrotos, recentemente assassinado por Anitta, foi dizimado outra vez. O arranjo estava estranho e a banda desajustada. Outra versão que deixou a desejar foi de O Que, poema concreto de Arnaldo Antunes que perdeu todo o seu groove e apelo.

Os demais músicos de apoio, incluindo Beto Lee, o guitarrista que é filho de Rita, cumprem um papel burocrático. Fica a cargo de Britto, portanto, carregar o show nas costas e empolgar a plateia. No fim das contas, ficou a impressão de que ninguém no palco estava muito à vontade com o que estava acontecendo.

O C6 no Rock vai até domingo, 23, e tem ainda apresentações de Paralamas do Sucesso, IRA! e Marina Lima, entre outros, cantando discos emblemáticos, além de homenagens a Rita Lee e Cazuza.

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