Os Paralamas do Sucesso apresentaram um show arrebatador no festival C6 no Rock, em São Paulo, tocando na íntegra o clássico álbum "Selvagem?" (1986). A performance no Parque Ibirapuera destacou o entrosamento do trio e a relevância de suas letras críticas, combinando rock, reggae e MPB. Além das faixas do disco celebrado, o grupo empolgou a multidão com grandes sucessos de sua trajetória, como "Óculos" e "Meu Erro", consagrando-se como a melhor apresentação do primeiro dia do evento.
Quando os Paralamas do Sucesso subiram ao palco montado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, uma multidão aguardava por eles. O motivo? Eles nunca decepcionam. Neste sábado, 22, fizeram um show profissional e de alta qualidade na reta final do primeiro dia do C6 no Rock, festival que ocorre em São Paulo e celebra discos emblemáticos da década de 1980.
Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone e companhia tocaram Selvagem? (1986), terceiro LP do trio, na íntegra. O disco, como se sabe, redefiniu a sonoridade da banda ao combinar elementos do rock, reggae, música africana e MPB, marcando também uma transformação de conteúdo lírico.
Com faixas como Alagados, Teerã e A Novidade, esta última composta por Gilberto Gil, adotaram uma postura mais contestadora acerca das desigualdades sociais no Brasil, tecendo em sua arte críticas que permanecem atuais, assim como todos os outros discos apresentados no Parque do Ibirapuera.
Em comparação com O Concreto Já Rachou, da Plebe Rude, Rádio Pirata Ao Vivo, do RPM, e Cabeça Dinossauro, dos Titãs -, Selvagem? é o mais elegante e não tem a mesma agressividade dos demais, ainda que não se prive do mesmo inconformismo transmitido em roupagem mais poética.
No palco, o entrosamento do trio é de dar inveja a qualquer banda. Basta uma troca de olhares para mudar um acorde, sair de um refrão, arrematar uma canção, etc. Eles fazem isso há décadas - e com um pé nas costas.
Um dos destaques esquecidos do celebrado álbum e que ganhou ótima versão ao vivo foi O Homem, uma pequena crônica reaggae sobre a condição humana. "O homem traz em si a santidade e o pecado / Às vezes benfeitor é quem maltrata / Nenhuma doutrina mais me satisfaz", cantou Herbert.
A banda foi beneficiada pelo horário do show, à noite, e pôde usufruir de enormes projeções refletidas na parte traseira do Auditório Oscar Niemeyer, prática já característica nos recitais realizados ali.
O repertório terminou de forma arrebatadora, já que houve tempo para uma fila de sucessos: Lanterna dos Afogados, Aonde Quer Que Eu Vá, Óculos e Meu Erro. Um deleite para o público, que ficou satisfeito com o melhor show do festival até o momento.
O C6 no Rock vai até domingo, 23, e terá ainda shows de Marina Lima, IRA! e mais atrações.