Multi-instrumentista, compositor e pesquisador moçambicano, Otis Selimane vinha construindo no Brasil uma trajetória ligada à música africana contemporânea e aos encontros com artistas da música afro-brasileira. Em Músicas de Mbira e Outros Contos Bantu, seu segundo álbum solo, ele coloca a mbira no centro de um repertório feito de vozes, poemas, canções moçambicanas e releituras brasileiras.
Lançado em 2026 com produção do próprio artista, o disco tem 15 faixas e ganhou uma circulação surpreendente para um trabalho independente desse formato: "Valha" entrou na trilha de A Nobreza do Amor (Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior), novela da Globo. A trama das 18h se passa nos anos 1920 e parte de um reino africano fictício, e a entrada de Otis na trilha reforça o que o álbum propõe: aproximar o Brasil de narrativas africanas menos genéricas, mas que criem imaginários.
No álbum, essa costura encontra um ponto alto em "Cordeiro de Nanã", regravada por Otis com Mateus Aleluia, um dos nomes centrais da música afro-brasileira. O TMDQA! conversou com o artista sobre o lançamento, a imagem ainda rasa que muita gente faz da África e uma trajetória que já passou pela banda de Luedji Luna.