Em participação na série Coleção de Livros, do Estadão, o colunista Chico Barney abriu seu acervo e revelou sua paixão por histórias em quadrinhos, mídia que consome desde a infância e sobre a qual mantém um canal no YouTube. Avesso ao interesse pelas adaptações de heróis para o cinema, ele prefere a mídia física original. Suas estantes também reúnem clássicos da literatura russa, romances e biografias sobre televisão, embora admita que seu ritmo de leitura caia durante a exibição do BBB.
Na primeira vez em que apareceu nas páginas do Estadão, em 2008, Chico Barney foi definido como um "blogueiro com um tipo de humor ácido". Quase duas décadas depois, a definição se sustenta, mas trocando as plataformas. Chico adaptou sua linguagem dos blogs para as redes sociais, sites e YouTube. Tornou-se colunista de entretenimento e influenciador, mas sem deixar de lado a paixão por uma mídia física que consumiu durante a infância: os quadrinhos.
"Eu voltei a ler os quadrinhos justamente nos anos 2000, já depois da faculdade, e graças à internet. Virou esse espaço de troca. As HQs são um universo muito específico, tem um monte de signos tão próprios dessa comunidade", explica. Ele lembra que o primeiro livro que leu 'com suas próprias mãos' foi O menino maluquinho, de Ziraldo. "Eu lia e relia aquilo tanto que estragava, que caía a página. Foi minha porta de entrada nesse mundo e me arruinou a vida", brinca.
Chico Barney é mais um nome que topou abrir seu acervo literário pessoal para o Coleção de Livros, série do Estadão que vasculha as estantes de diferentes personalidades. Você assiste à entrevista completa no topo desta página e, para conferir todos os episódios, é só acessar esta playlist.
Nas prateleiras de sua gibiteca, Chico guarda obras mais mainstream, mas também personagens menos conhecidos: "Gosto muito do Savage Dragon, que é feito pelo mesmo quadrinista há mais de 30 anos". O personagem é obra de Erik Larsen, desenhista e roteirista do Homem-Aranha para a Marvel. Nos anos 1990, um grupo de desenhistas da editora se uniu a outros profissionais da DC para fundar uma 'terceira força': a Image Comics.
Chico diz não se importar com as adaptações cinematográficas. "Tem uma galera que gosta de saber quem vai ser o próximo no Wolverine, Superman... Eu quero que todos se explodam. Para mim, o legal é isso aqui, são os gibis". E completa: "Graças a Deus, com o desgaste de Marvel e Disney, eu vejo que o negócio está um pouco mais livre, mais liberado."
Atualmente, além de colunista de TV, Chico mantém um canal no YouTube para falar sobre histórias em quadrinhos.
Mas nem só de quadrinhos vive Chico Barney. Suas estantes também guardam romances, como um de seus favoritos, Nosso homem em Havana, de Graham Greene. "Eu também gosto muito de literatura russa. Sou completamente fascinado pelo Gógol. Li quase tudo que saiu aqui no Brasil, pelo menos."
De televisão, outra de suas especialidades, ele destaca o colega jornalista Maurício Stycer, autor de obras biográficas sobre figuras como Gilberto Braga e Silvio Santos. "Também sou um nerd quando o assunto é David Letterman. Para mim, ele e o Faustão são o auge da TV", avalia. Do apresentador norte-americano destaca a biografia Letterman: The Last Giant of Late Night, escrita por Zinoman.
Mas Chico confessa: o ritmo de leitura cai durante o Big Brother Brasil. "É verdade o que eles dizem: apague o BBB e vá ler um livro, porque é difícil conciliar", diz. "Mas depende da edição. No BBB 26, li muito pouco, mas na temporada do ano passado, deu para ler um bocado, porque não acontecia nada naquela casa amaldiçoada", relembra.