Considerada a primeira top model brasileira, Maria Stella Splendore completou 78 anos em agosto.
Mantém a elegância e a beleza que, aos 16 anos, a fizeram ser escolhida pelo estilista Dener para estrear em um desfile.
Ele ficou tão hipnotizado que se apaixonou. A jovem correspondeu. Casaram-se e tiveram dois filhos.
Naqueles anos 1960, o termo usado não era modelo, e sim manequim.
Splendore se tornou uma referência nas passarelas e entrou para o hall das mulheres mais belas do país.
Logo recebeu convites para a TV, onde fez novela e foi jurada dos programas de Silvio Santos e do Chacrinha. Também atuou em filmes.
O sucesso rendeu ainda uma incursão pela música. Lançou um compacto com duas canções (‘Bom Dia’ e ‘Quase’).
A artista se tornou amiga de Roberto Carlos. Mais que isso, uma espécie de musa.
Ela teria sido a inspiração para ‘Namoradinha de um Amigo Meu’, lançada em 1966.
A letra retrata o conflito de um homem apaixonado pela parceira de um amigo próximo. O ‘Rei’ tinha amizade com Dener, de quem também era cliente.
“Estou amando loucamente / A namoradinha de um amigo meu / Sei que estou errado / Mas nem mesmo sei como isso aconteceu”.
“Sempre soube que era para mim”, afirmou a modelo em entrevista à ‘Folha’, em 2008, quando lançou sua autobiografia, ‘Sri Splendore’.
Maria Stella e Roberto Carlos viveram um affair, segundo o livro, quando ela ainda era casada com Dener. “Estive com os dois na mesma época”, confirmou ao jornal.
A modelo nunca quis comprovar a suspeita de que a filha, Maria Leopoldina, teria nascido daquele envolvimento amoroso com o maior ídolo da Jovem Guarda.
“Na época, não havia exame de DNA. Hoje, não faz mais sentido. Não somos filhos nem pais de ninguém, somos instrumentos. Pai é Deus.”
A estrela do mundo da moda se afastou dos holofotes e flashes. Na década de 1980, converteu-se ao movimento Hare Krishna.
Desde então, dedica a vida à busca de conhecimento para o bem-estar espiritual.
Em julho e agosto, em viagem à Europa, Splendore visitou templos e participou de cerimônias religiosas.
No dia de seu aniversário, celebrado na capital inglesa, ela compartilhou uma reflexão.
“Para terem alguma esperança de tornar esta vida bem-sucedida, onde a alma não se arrepende, mas, em vez disso, salta de alegria quando a morte chega, é preciso trabalhar muito. Trabalho focado e constante sobre o Eu para submeter o Ego e a vontade egoísta à vontade da alma, que está alinhada com a vontade maior de Bhagavan (Deus).”