O advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, é um nome forte e influente em Brasília há anos. Em agosto de 2021, por exemplo, uma comemoração de aniversário com show sertanejo, políticos influentes e uma polêmica envolvendo uma garrafa de vinho avaliada em até R$ 45 mil marcou a festa do advogado. O evento aconteceu durante a pandemia de Covid-19 e teve a presença de autoridades dos Três Poderes.
A celebração foi realizada na noite de 31 de agosto, na residência do advogado, no Lago Sul, área nobre da capital federal. A música ficou por conta de Bruno, da dupla com Marrone. Entre os convidados estavam Flávio Bolsonaro, acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, Arthur Lira, então presidente da Câmara dos Deputados, e Rodrigo Pacheco, que comandava o Senado.
A festa ganhou repercussão após reportagens informarem que os convidados foram servidos com Château Petrus, vinho francês de luxo que, dependendo da safra, pode custar até R$ 45 mil por garrafa. Também foram mencionados champanhe e comida japonesa. O evento reuniu políticos e outras personalidades, e imagens divulgadas na época mostraram pessoas sem máscaras.
Willer Tomaz, porém, contestou a informação sobre o vinho. Na ocasião, ele afirmou que a bebida havia sido servida pelo buffet e negou que custasse R$ 45 mil. Já ao site O Antagonista, disse que o rótulo servido era o La Piu Belle, avaliado por ele em aproximadamente R$ 500.
O advogado também afirmou que a comemoração foi um jantar reservado, com cerca de 30 pessoas, entre familiares e amigos, e não uma festa organizada para receber autoridades. Questionado sobre a ausência de máscaras, argumentou que o encontro ocorreu em um espaço amplo e aberto, no qual seria possível manter o distanciamento.
Quem estava na festa de Willer Tomaz?
Além de Flávio Bolsonaro, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, uma reportagem do Metrópoles da época apontou que a comemoração teve a presença de nomes ligados ao governo federal da época. Entre eles estavam Flávia Arruda, então ministra da Secretaria de Governo, e o marido, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.
A presença de integrantes da cúpula política chamou atenção porque Willer Tomaz já era conhecido por sua circulação entre autoridades em Brasília. O advogado também tinha proximidade com Flávio Bolsonaro, relação que voltou ao noticiário em 2026.
Por que Willer Tomaz voltou ao noticiário?
Esse mês, o nome de Willer Tomaz passou a aparecer em reportagens sobre uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de apostas esportivas e a relação do advogado com Flávio Bolsonaro.
A PF analisou dados do celular e de serviços digitais de Willer e identificou contatos frequentes com o senador, além de movimentações financeiras e possíveis vínculos empresariais relacionados a plataformas de apostas.
Uma das linhas de apuração envolve a Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado, e a possível participação de Flávio em negócios relacionados à plataforma BestBet. A investigação também examina viagens realizadas em aeronaves executivas e uma conta bancária que, segundo documentos obtidos pela PF, teria os dois como usuários. Flávio e Willer negam a existência de uma conta conjunta.
A investigação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes e e os investigadores apuram se o senador teria participação econômica não declarada em negócios ligados a apostas.
Willer Tomaz nega irregularidades e afirma que seus negócios são lícitos e declarados. Flávio Bolsonaro também rejeita as suspeitas e sustenta que sua relação com o advogado é de amizade. As apurações estão em andamento e, até o momento, as suspeitas investigadas não representam uma condenação.