Tribunal da internet julga Patrícia Abravanel com prazer perverso e torce por um drama conjugal

Apresentadora vira alvo de escárnio nas redes sociais por quem se incomoda com o que sua imagem representa

15 set 2026 - 09h32
(atualizado às 09h33)

Entre o ‘eu’ e o ‘outro’ deve haver compaixão, o sentimento que melhor define uma pessoa verdadeiramente boa.

Essa teoria foi talhada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer há mais de 200 anos.

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Corta para 2026.

Nas redes sociais, muita gente deitou e rolou de rir com a informação em uma matéria da revista ‘Piauí’ a respeito de hipotética participação do empresário e ex-deputado Fábio Faria na organização de uma festa com mulheres bancada por Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Surgiram incontáveis postagens ironizando a mulher dele, Patrícia Abravanel, principal estrela do SBT. Usaram imagens de arquivo da própria emissora.

A exemplo daquela em que a apresentadora afirma ter ficado quatro meses em “jejum e oração” para Deus enviar ser um “marido bom”.

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Em outro recorte amplamente compartilhado, Silvio Santos, obstinado a provocar a filha, faz graça insinuando que o genro seria mulherengo.

Um prato cheio para quem já atacava Patrícia por ser defensora da família tradicional.

O problema não está em questionar a coerência entre aquilo que alguém prega e eventualmente o que acontece em sua vida.

Figuras públicas estão sujeitas à crítica, inclusive quando defendem valores que parte da sociedade se sente no direito de questionar.

O conflito surge quando se transforma a possível dor e humilhação de alguém em matéria-prima para o entretenimento coletivo.

A internet parece ter encontrado, neste episódio, a oportunidade de assistir à hipotética desconstrução de um casamento propagado como estável e exemplar.

Patrícia não foi ridicularizada apenas por ser uma celebridade em momento de fragilidade. Acabou atacada por representar outras características desprezadas por parte da sociedade.

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Entre as quais, ser nepobaby (herdeira de um dos maiores impérios de comunicação do país), não demonstrar constrangimento em pertencer à elite, ser uma mulher de fé ostensiva, estar associada aos evangélicos de direita, recusar o discurso politicamente correto.

Ao ver o marido dela em manchetes pejorativas que também a deixaram superexposta, seus ‘haters’ imediatamente pensaram: “bem feito”.

Houve também inegável machismo: Patrícia foi mais ridicularizada do que Fábio Faria, embora fosse ele o protagonista da notícia negativa.

E aí aparece o sadismo das redes.

Existe um prazer explícito em assistir ao constrangimento de uma personalidade simplesmente porque ela sustenta uma posição que desagrada a um grupo influente.

O vexame alheio ganha contornos de espetáculo. Schopenhauer reconheceria nessa cena uma derrota da compaixão.

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O teste da bondade não acontece, definitivamente, quando sentimos empatia por quem amamos, admiramos ou que pensa como nós.

A verdadeira prova está no instante em que o sofrimento atropela justamente aquele que detestamos.

E quando rimos da desgraça do outro, estamos revelando quem somos. E a imagem não é bonita.

Patrícia Abravanel acabou superexposta na mídia e nas redes sociais após citação de seu marido em matéria sobre o escândalo de Daniel Vorcaro, do Banco Master
Patrícia Abravanel acabou superexposta na mídia e nas redes sociais após citação de seu marido em matéria sobre o escândalo de Daniel Vorcaro, do Banco Master
Foto: Reprodução
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