O Ministério Público do Distrito Federal apresentou nesta quarta-feira uma ação civil pública contra Virginia Fonseca e o site de apostas Blaze, exigindo o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 120 milhões. A petição ainda aguarda análise da Justiça, conforme informações obtidas pelo G1.
A iniciativa foi construída sobre duas linhas de investigação: um acúmulo de denúncias diretas de consumidores e um relatório técnico que contabiliza mais de 42 mil reclamações formais contra a Blaze. Entre as principais queixas estão a retenção sistemática de valores depositados, o bloqueio repentino de contas com saldos positivos, justificativas genéricas do suporte para não pagar prêmios e a imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis para liberar saques.
Segundo o MP, a Blaze utilizava deliberadamente o carisma de celebridades como Virginia para captar usuários em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídos pela promessa de ganhos rápidos e renda extra. As apurações apontam ainda que o esquema começou a operar em 2023, época em que a plataforma funcionava sem autorização federal no país.
Para comprovar as práticas abusivas, servidores do próprio MP se cadastraram anonimamente no site e monitoraram as estratégias de marketing. A investigação revelou o envio sistemático de e-mails promocionais com linguagem altamente persuasiva, criando um "senso de urgência artificial" para incentivar os usuários a gastar mais dinheiro.
Diante disso, o órgão exige na Justiça a retirada imediata de todas as publicidades que prometam lucros fixos ou garantidos, o custeio de uma campanha educativa sobre os riscos do jogo patológico e do superendividamento, além do pagamento dos R$ 120 milhões revertidos para fundos de proteção ao consumidor.
Em nota, a Blaze informou que ainda não foi formalmente intimada, mas afirmou se manter "comprometida com a transparência e conformidade com a legislação". A defesa de Virginia não foi localizada para comentar até o fechamento da reportagem.
O cerco contra os contratos da influenciadora vem se estreitando. Em junho, a Prodecon exigiu cópias integrais dos contratos firmados entre ela e o site. Em depoimento à CPI das Bets no Senado, Virginia declarou que não se arrependia dos anúncios, que sempre alertou o público sobre os riscos financeiros e garantiu que seus contratos não possuem a chamada "cláusula da desgraça", em que o influenciador recebe porcentagem sobre o dinheiro perdido pelo seguidor.