Ex-maquiador de Hebe e Gugu perdeu tudo para as drogas e foi à Cracolândia para morrer

Eduardo Sacchiero relata o inferno da “droga do sexo”, o desespero de viver na rua e a tentativa de se esconder numa favela

29 jun 2026 - 00h21
(atualizado às 00h21)

O maquiador Eduardo Sacchiero, que durante anos trabalhou com artistas como Hebe Camargo e Gugu Liberato, fez um relato contundente sobre sua luta contra a dependência química.

Em entrevista ao canal de YouTube do apresentador Geraldo Luís, ele disse que chegou a ir até a região onde era a Cracolândia, no centro de São Paulo, decidido a colocar um fim ao sofrimento. “Fui com um único intuito: sair de lá morto.”

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A dramática situação do profissional de beleza, que cuidava também de Lívia Andrade e Suzy Rêgo, ganhou repercussão após o jornalista Felipeh Campos divulgar um vídeo em que ele aparecia em situação de rua na Praça Princesa Isabel, conhecida pela frequência de usuários de substâncias.

Ao comentar aquelas imagens, Edu relembrou o sofrimento de uma realidade que vinha tentando esconder.

“Quando fui para a Cracolândia eu não estava mais conseguindo me mostrar. Não era mais aquele Edu do Instagram, aquele Edu que as pessoas estavam acostumadas a ver com as artistas.”

Segundo o maquiador, o início da crise pessoal aconteceu após a morte da mãe, vítima da covid-19, em março de 2021. Sem família e solteiro, sentiu-se sozinho no mundo.

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“Começou a bater uma tristeza, uma solidão. Perdi a vontade de viver, mesmo ganhando dinheiro, trabalhando.”

Foi quando conheceu o ‘crystal meth’, ou metanfetamina, droga com alto potencial de dependência e uma das substâncias mais associadas ao chamado “sexo químico” (chemsex).

 “Viciei na primeira”, contou Sacchiero.

A prática é muito comum no universo gay e aparece com frequência no perfil de alguns usuários de aplicativos de relacionamento. 

Inicialmente, Edu consumia a droga por inalação. Com o agravamento do vício, passou a injetá-la.

“Tive momento de estar com o braço todo machucado, cheio de hematomas. Passei a usar blusa de manga comprida.”

Eduardo Sacchiero frequentava emissoras de TV e festas de famosos antes de as drogas o levarem a viver nas ruas do centro de SP
Eduardo Sacchiero frequentava emissoras de TV e festas de famosos antes de as drogas o levarem a viver nas ruas do centro de SP
Foto: Reprodução/@geraldoluistv

Em 2025, a mudança física chamou atenção de pessoas próximas. Conhecido pelo porte musculoso, ele ficou extremamente magro.

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Na época, deu a desculpa de que seguia uma dieta rica em proteínas. “Eu me autossabotava.”

A situação só começou a mudar quando um amigo o pressionou a admitir a dependência. Edu aceitou ajuda e foi internado em uma clínica de desintoxicação, onde permaneceu por quatro meses e meio.

Recebeu alta em novembro e conseguiu se manter sóbrio até fevereiro deste ano, quando voltou ao inferno.

“Eu recaí.”

A retomada do consumo de entorpecentes foi devastadora.

“Não tinha mais dinheiro. Tinha vendido tudo, incluindo roupas, relógio, fone e celular. Tudo eu troquei por droga.”

O maquiador preferido de tantas celebridades foi parar nas ruas da capital paulista. 

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Pediu esmola, revirou latas de lixo, dormiu ao relento e usou caixas de papelão como proteção contra a chuva e o frio.

Chegou a buscar abrigo em hospitais particulares utilizando seu convênio médico. 

Criou uma tática: informava estar com depressão e pensamentos suicidas para ser encaminhado à ala psiquiátrica.

“Tinha comida, onde dormir e como tomar banho.”

Cada internação durava em média cinco dias.

Depois que um enfermeiro mostrou a ele o vídeo gravado na Praça Princesa Isabel, Edu deixou o hospital e se escondeu em uma favela para evitar ser reconhecido por outras pessoas.

Apesar das circunstâncias extremas, afirmou que nunca se prostituiu e não sofreu agressões.

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Atualmente, Eduardo Sacchiero está em outra clínica de reabilitação. Recebe orientação do terapeuta Alexandre Castanheira, famoso por aparições na TV para alertar sobre o risco das drogas e as alternativas de tratamento.

O maquiador admite que a dependência é “uma doença incurável”. Tenta vencê-la a cada dia. “Voltei a viver, a ter sonhos, vi uma luz no fim do túnel”, afirma.

“Quero poder resgatar pessoas que eu amo, resgatar a minha profissão.”

Eduardo Sacchiero disse a Geraldo Luís que pretende voltar a ser maquiador, mesmo que não atenda mais as famosas da TV
Foto: Reprodução/@geraldoluistv

A cidade de São Paulo possui o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, do governo do Estado, aberto 24 horas. Informações: (11) 3329-4455.

As unidades do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ligadas ao SUS, oferecem atendimento gratuito a pessoas com transtornos mentais ou que enfrentam dependência de álcool e outras drogas. Basta pedir orientação na clínica mais próxima.

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Em caso de sofrimento emocional e da necessidade de conversar a respeito, a indicação é ligar a qualquer hora para o 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida).

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