Matheus Nachtergaele comenta gosto 'amargo' de voltar a falar de violência em 'Cidade de Deus'

Após mais de 20 anos, o ator retornar ao universo da história para a segunda temporada da série da HBO

8 nov 2026 - 05h00
Matheus Nachtergaele comenta gosto ‘amargo’ de voltar a falar de violência na Cidade de Deus
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Em 2002, Matheus Nachtergaele e todo o restante do elenco de Cidade de Deus foram as grandes estrelas do cinema brasileiro. No filme de Fernando Meirelles, o ator interpretou Cenoura, apresentado como o traficante mais "boa praça" da história. Mais de 20 anos depois, o personagem e o artista retornam a esse universo para a segunda temporada da série Cidade de Deus - A Luta não Para, que estreia na HBO Max neste domingo, 8.

Cenoura não estava na primeira temporada da série, que mostra os personagens no começo dos anos 2000, cerca de 20 anos após o final do filme, no qual o personagem acaba preso após um confronto com a polícia. Agora, ele surge como um homem que pagou a pena, mas acaba retornando ao universo do crime.

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"Os vínculos afetivos o levam de volta a esse mini mundo tão exemplo do Brasil que é a Cidade de Deus. O que senti claramente é que algo de mais grave estava nele. Uma consciência muito maior do ciclo de violência em que ele nasceu do que ele tinha antes, mas isso não impede que ele se misture de novo com tudo o que estava acontecendo. Senti que o Cenoura está menos sorridente do que ele já foi um dia", diz Matheus em entrevista ao Terra.

Matheus Nachtergaele em Cidade de Deus - A Luta não Para
Matheus Nachtergaele em Cidade de Deus - A Luta não Para
Foto: Reprodução/HBO Max

Gravado nos anos 2000, o filme Cidade de Deus é baseado no livro de Paulo Lins de 1977 e se passa naquela época. A nova temporada, de 2026, volta mais de 20 anos no passado, mas continua falando de assuntos atuais como tráfico de drogas, violência policial e as milícias. "Há uma caminhada. Agora, o travo é amargo por um lado. Quando penso no sentimento que a gente tinha naquela época sobre o que a gente estava contando e ainda ter alguma semelhança, dói. A humanidade caminha muito devagar", comenta Matheus.

Luellem de Castro entrou na história de Cidade de Deus apenas na série. Ela interpreta Leka, a filha do protagonista Wilson Buscapé (Alexandre Rodrigues). Na segunda temporada, ela constrói uma relação melhor com o pai, ao mesmo tempo que continua sonhando em ter uma carreira como funkeira e se engaja com a comunidade.

Luellem de Castro em Cidade de Deus - A Luta não Para
Foto: Reprodução/HBO Max

Para a atriz, por mais que os temas abordados no livro e no filme continuem semelhantes, ela vê uma  nova forma de contar essa história em 2026. "Acho triste, mas, ao mesmo tempo, acredito na espiral. Há 20 anos, se falava disso, mas não se falava com tanta liberdade ou consciência. A gente está falando das mesmas coisas, mas partindo de novos olhares e de esperança", analisa a atriz.

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Um dos exemplos de esperança é o que acontece com a personagem de Sabrina Rosa, por exemplo. Ela interpreta Cinthia que, no filme, sofre um abuso sexual do traficante Zé Pequeno (Leandro Firmino). Na série, ela volta como uma líder comunitária na Cidade de Deus, mas que na segunda temporada sofre com dilemas ao ver o filho se envolvendo com a milícia, chamada de mineira na época em que se passa a história.

Sabrina Rosa em Cidade de Deus - A Luta não Para
Foto: Reprodução/HBO Max

"Fiquei com muita pena dessas mãezinhas que perdem os filhos para a violência. Sou mãe e fiquei o tempo inteiro me colocando no lugar delas. Que loucura dessa mãe que tem esse filho que é roubado dela por esse mundo louco. Toda vez que fazia uma cena ficava com esse sentimento e pensava: 'Que bom que não é comigo, que bom que estou só interpretando aqui'", comenta Sabrina.

A segunda temporada da série segue narrada por Buscapé, agora chamado também de Wilson. No filme, ele era apenas um garoto sonhando em fotografar. Desta vez, o personagem de Alexandre Rodrigues trabalha em um dos principais jornais do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo que não quer mais fotografar a violência na Cidade de Deus apenas para o prestígio do jornal, também não consegue se afastar completamente do que está rolando por lá, com os conflitos entre os grupos criminosos e áreas de favelas próximas sendo exploradas pelas primeiras milícias.

Alexandre Rodrigues em Cidade de Deus - A Luta não Para
Foto: Reprodução/HBO Max

"O Buscapé vem de duas perdas muito grandes. Ele está em um momento psicológico e emocional bem sinuoso e acredito que esse é o momento de virada na trajetória do personagem. Ele passou por muita coisa, ele já vem de feridas de guerra muito anteriores. Ele sempre foi um cara muito só, deixou a família para lá e lidava mais com o trabalho. Nessa temporada, mostra mais as cicatrizes dele, não só a que ele ficou com o tiro. Por conta de todo esse trampolim emocional, ele chega a um momento em que começa a enxergar muito mais a finitude e vê o que está perdendo, então começa a voltar para a raiz dele e se relacionar com a família dele", conclui Alexandre.

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Fonte: Portal Terra
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