O documentário "Biggs by Biggs", que estreia no Universal+, aborda a complexa relação entre Mike Biggs, ex-integrante da Turma do Balão Mágico, e seu pai, Ronnie Biggs, o célebre assaltante britânico foragido no Brasil. Famoso desde a infância e principal provedor da casa nos anos 1980, Mike explora a exposição midiática da família e reflete sobre como a dedicação ao pai impactou sua própria paternidade, culminando em um diálogo sincero sobre erros e reconciliação com as filhas.
Conhecido como "o fugitivo mais famoso do mundo", Ronald "Ronnie" Biggs (1929-2013) passou anos foragido no Brasil. No País, o responsável pelo célebre assalto ao trem pagador da Inglaterra de 1963, que resultou numa perda de 2,6 milhões de libras para a coroa britânica, levou uma vida boêmia, se tornando celebridade no Rio de Janeiro e dominando manchetes com seu bom-humor e excessos.
Em seus anos em terras cariocas, Ronnie teve um filho, Michael "Mike" Biggs, integrante do grupo de sucesso Turma do Balão Mágico, e cuja relação com o pai é explorada em Biggs by Biggs, documentário que chega nesta sexta-feira, 6, ao Universal+.
Em entrevista ao Estadão, Mike revelou que a ideia do filme surgiu "há uns três ou quatro anos", quando ele foi abordado pelos diretores Guto Barra e Tatiana Issa para participar de um documentário sobre o Balão Mágico, A Superfantástica História do Balão. "A Tatiana veio me falar 'acho que seria ótimo a gente de repente pensar em desenvolver algo que seja você contando a história do teu pai'. Eu falei 'ah, vamos, vamos conversar'."
Enquanto o pai alimentava sua fama com entrevistas à mídia nacional e internacional, o próprio Mike acabou se tornando celebridade logo aos 8 anos, quando passou a integrar a Turma do Balão Mágico, que vendeu 12 milhões de discos ao longo dos anos 1980. Entre shows, eventos e gravações para programas de TV, o cantor acabou se transformando no principal provedor da família formada apenas por ele e Ronnie.
"Para mim, foi meio que uma continuação da história do meu pai. Eu já estava acostumado com câmeras, estava acostumado com entrevistas, [a exposição na mídia] era uma coisa que já fazia parte do nosso dia a dia", lembra Mike. "Entrar no Balão, pra mim, foi uma coisa orgânica."
O cantor ainda lembra que, como Turma do Balão Mágico teve seu ápice nos anos 1980, emissoras e empresas aproveitavam a falta de regulamentação do trabalho infantil para manter os astros mirins por horas a fio.
A tal "história Biggs" acabaria se refletindo na relação de Mike com as próprias filhas, Ingrid e Lilly. Após se mudar para Londres em 2001, quando Ronnie decidiu, enfim, se entregar à justiça britânica, o cantor passou a dedicar seus dias e suas economias para tentar tirar o pai, já muito idoso, da cadeia, o que levou a um afastamento das garotas.
Ao fim de Biggs by Biggs, Mike e as filhas sentam em frente às câmeras e conversam abertamente sobre as falhas do artista como pai. "É muito bom, para mim, saber que minhas filhas podem verbalizar as frustrações e as dores que elas têm em relação a ter um pai que ficou um período afastado delas, mas de uma maneira sem ódio e compreendendo o que acontece na vida de cada um."
"Minha vida é um livro aberto, não tenho que esconder que tive falhas, assim como meu pai teve as falhas enquanto pai comigo, como os pais e mães de todo mundo têm essas falhas. A diferença é que a minha foi colocada numa câmera."
Biggs by Biggs estreia nesta sexta-feira, 6 de novembro, no Universal+. O streaming conta com um aplicativo próprio e também pode ser assinado como um canal integrado ao Prime Video.