Javier Bardem explica por que se manifestou sobre a guerra e a Palestina no Oscar

'Você pode fazer parte da comunidade cinematográfica, que é uma comunidade importante, e também ser um cidadão', disse o ator

16 mar 2026 - 10h54

A cerimônia do Oscar 2026 evitou amplamente a política, com exceção de algumas piadas no monólogo de abertura de Conan O'Brien. Javier Bardem, no entanto, usou sua posição como apresentador para se posicionar sobre a guerra no Irã e o conflito em curso entre Israel e Palestina.

Javier Bardem no Oscar 2026
Javier Bardem no Oscar 2026
Foto: Julian Hamilton/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Ao apresentar o Oscar de Melhor Filme Internacional, Bardem declarou : "Não à guerra e Palestina livre". O ator usava um broche com os dizeres "No a la Guerra" na lapela. Mais tarde, na festa da Vanity Fair, Bardem explicou que era o mesmo broche que usou na cerimônia do Prêmio Goya, na Espanha, em 2003.

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"Estou usando um broche que usei em 2003, durante a guerra do Iraque, que foi uma guerra ilegal", disse Bardem aos repórteres no tapete vermelho da festa. "E aqui estamos nós, 23 anos depois, com outra guerra ilegal, criada por Trump e Netanyahu com outra mentira."

Em entrevista à Variety, Barden afirmou que era importante para ele se manifestar durante a cerimônia do Oscar. "Acho importante entender, conscientizar, que você pode fazer as duas coisas", disse. "Você pode fazer parte da comunidade cinematográfica, que é uma comunidade importante, e também ser um cidadão que usa essa enorme plataforma para denunciar o que considera uma injustiça. Nesse caso, é o genocídio na Palestina, que ainda está acontecendo."

Ele observou que 600 pessoas foram mortas na Palestina desde o cessar-fogo e denunciou os "abusos" na Cisjordânia. "A limpeza étnica que está acontecendo na Cisjordânia é horrível e não estamos falando o suficiente sobre isso", disse Bardem.

Os vencedores do Oscar, em sua maioria, evitaram abordar temas políticos em seus discursos de agradecimento. David Borenstein, diretor do documentário vencedor Mr. Nobody Against Putin, fez o discurso mais politicamente engajado da noite.

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Ele explicou que seu filme "é sobre como você perde seu país". "O que vimos ao trabalhar com essas imagens é que você o perde por meio de inúmeros pequenos atos de cumplicidade: quando agimos como cúmplices quando um governo assassina pessoas nas ruas de nossas principais cidades, quando não dizemos nada quando oligarcas assumem o controle da mídia e ditam como podemos produzi-la e consumi-la, todos nós enfrentamos uma escolha moral", disse Borenstein. "Mas, felizmente, até mesmo um ninguém é mais poderoso do que você imagina."

Rolling Stone Brasil
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