'Vocês vão parar no tempo?', reclama Flávio ao ser cobrado por prestação de contas do 'Dark Horse'

Candidato afirmou que não cabe a ele prestar contas sobre o filme, voltou a atacar Lula e o STF e, em agenda com empresários em São Paulo, reforçou a aproximação com o mercado

24 ago 2026 - 20h52
(atualizado às 22h26)
Resumo
Em agenda com empresários na Fiesp, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) esquivou-se de prestar contas sobre o financiamento do filme Dark Horse, alegando tratar-se de verba privada cuja gestão coube à produtora. Sem provas, Flávio acusou o presidente Lula de envolvimento no caso e criticou a política econômica do governo. Em aceno ao mercado e a Tarcísio de Freitas, o presidenciável defendeu a liberdade de expressão e prometeu atrair eleitores de outros nomes de direita já no primeiro turno.

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, reagiu nesta segunda-feira, 24, ao ser novamente questionado sobre a prestação de contas relacionada ao filme Dark Horse. "Vocês vão parar no tempo?", indagou. Segundo ele, a responsabilidade pelas explicações não é dele.

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Três meses já se passaram desde que Flávio disse que apresentaria publicamente um relatório detalhado sobre o financiamento do longa-metragem, que contou com verba de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

"Quem tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas", declarou após participar da reunião quinzenal da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Flávio Bolsonaro reagiu ao ser questionado sobre a falta de prestação de contas do filme Dark Horse
Flávio Bolsonaro reagiu ao ser questionado sobre a falta de prestação de contas do filme Dark Horse
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Flávio foi perguntado sobre a decisão de deixar a gestão dos recursos destinados ao projeto sob responsabilidade da produtora Go Up. De acordo com o candidato, a prestação de contas já foi apresentada no âmbito de uma investigação em São Paulo e divulgada pela imprensa. Ele afirmou ainda que a produtora teria gasto mais do que recebeu.

"Dá um Google aí. Está lá na matéria do G1 dizendo que a produtora gastou mais até do que recebeu de investimento. Enfim, de onde foi, aonde foi gasto o dinheiro, a prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo", disse.

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Questionado se estaria disposto a divulgar o contrato relacionado ao projeto, Flávio não respondeu diretamente. Afirmou que se trata de uma relação privada, envolvendo recursos de um fundo privado e sem contrapartida pública, e acusou a imprensa de tentar colocá-lo "na mesma página" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O candidato então associou Lula ao caso do Banco Master e afirmou que o presidente teria participado de conversas para beneficiar integrantes da instituição financeira. Flávio também citou o filho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e integrantes do governo e do PT. Não apresentou provas das acusações durante a entrevista.

Em seguida, Flávio pediu o apoio de jornalistas à sua candidatura e afirmou que uma nova vitória do PT colocaria em risco o sigilo das fontes e a liberdade de expressão. "Se quiserem continuar questionando um presidente da República, votem em mim, porque, com mais quatro anos de PT, as fontes de vocês vão todas tomar busca e apreensão", disse.

O candidato também declarou que, "se virar o ano com o PT no governo", pessoas que publicarem críticas nas redes sociais serão presas. Segundo ele, o governo federal "tem que lançar mão do Supremo Tribunal Federal para conseguir governar".

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Na disputa eleitoral, Flávio disse pretender atrair já no primeiro turno os eleitores dos candidatos Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos. O candidato do PL também voltou a destacar sua proximidade com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Flávio afirmou manter com Tarcísio um "pacto" para "resgatar o Brasil" e lembrou a atuação do governador como ministro da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro. Segundo ele, a boa avaliação do paulista faz parte da estratégia eleitoral do grupo.

"Eu tenho certeza de que ele vai vencer no primeiro turno. E eu não preciso de pacto com o Tarcísio para a gente caminhar junto; nós sempre caminhamos juntos e assim vamos continuar", afirmou.

Flávio intensifica aproximação com mercado financeiro

A agenda de Flávio Bolsonaro nesta segunda foi marcada por uma nova tentativa de aproximação com o mercado financeiro e o empresariado. O presidenciável esteve primeiro na Fiesp, onde foi aplaudido de pé e recebeu uma manifestação de apoio à sua candidatura do presidente da entidade, Paulo Skaf.

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Em seguida, participou de um evento promovido pela Veja Negócios que reuniu empresários. Nos dois compromissos, Flávio esteve acompanhado de Daniella Marques, uma das coordenadoras de sua campanha na área econômica.

Nos dois compromissos, Flávio repetiu um discurso voltado ao empresariado, com críticas à política econômica do governo Lula e à carga tributária. O candidato afirmou que o País vive um dos piores ambientes de negócios que já presenciou, acusou o governo de aumentar impostos para sustentar a expansão dos gastos públicos e disse que empresários se tornaram "sobreviventes" diante dos custos para manter seus negócios.

Ao falar sobre a composição de um eventual governo, Flávio fez um aceno a Daniella. "Fazer o que eu vou fazer ainda melhor, se Deus quiser, que é montar um time de ministros, com homens e mulheres, como a Daniela Marques, que está aqui", afirmou.

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