David Story, produtor global da franquia Largados e Pelados (Discovery+) revelou em entrevista exclusiva concedida ao Terra que pretende ampliar a presença brasileira na franquia, que é considerada uma das mais valiosas do primetime dos Estados Unidos.
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De acordo com o executivo, a motivação veio após ele trabalhar com a dupla Marina e René no Largados e Pelados: Global Showdown, spinoff do programa em que equipes do mundo inteiro são desafiadas a sobreviver durante 40 dias em um local inóspito pelo prêmio de US$ 200 mil -- algo em torno de R$ 1 milhão. Durante as gravações, a brasileira chocou o mundo ao usar as partes íntimas para pescar.
Durante a conversa com o Terra, David Story também falou sobre as negociações da Paramount para comprar a Discovery+ e como essas movimentações podem afetar o programa. Confira na íntegra:
'Largados e Pelados' está no ar há mais de uma década e gerou diversos spin-offs. Na sua opinião, qual é o motivo para o formato continuar atraindo espectadores em tantos países?
David Story: Acho que a fórmula é uma história muito básica. São duas pessoas que nunca se conheceram antes, que tiram as roupas, entram na mata e precisam fazer a coisa mais difícil de suas vidas ao lado de alguém que talvez nunca escolhessem, alguém que acabaram de conhecer.
Eles precisam conhecer um ao outro, o que é um experimento social que, acho, atrai muitos espectadores. Mas, ao mesmo tempo, estão fazendo algo muito difícil. Eles precisam ser um pouco malucos para pensar que, se nunca estiveram nos trópicos de Zululand, na África do Sul, conseguirão sobreviver lá. E assistir a pessoas que são um pouco malucas e isso sempre rende boa televisão.
Acho que essa é a fórmula. E não tenho certeza se isso chega tanto ao público pela televisão quanto acontece na vida real, mas eles passam por transformações lá. Eles são pessoas diferentes no dia 21 em comparação com o dia 1. E acho que os espectadores se identificam com isso. O sucesso, as alegrias e a sensação de superar tantos obstáculos são reais e genuínos. Acho que as pessoas reconhecem o que é realmente genuíno na televisão.
Muitos espectadores questionam o quanto do aspecto de sobrevivência é genuíno e quanto envolve a produção. Como vocês equilibram autenticidade e segurança dos participantes?
David Story: No 'Global Showdown', o que é muito interessante é que ele é um pouco mais produzido, de certa forma, porque existem desafios definidos. Há momentos em que precisamos reunir todos, conversar com eles e prepará-los para o desafio que virá. Existe um certo equilíbrio que não há no nosso programa regular de 21 dias".
No Largados e Pelados tradicional existe uma certa produção no primeiro dia, com a inserção dos participantes, e no dia 21, com a retirada deles. Mas, do segundo dia ao 20º, normalmente chegamos e perguntamos: 'O que vocês estão fazendo hoje?'. E acompanhamos. Obviamente, estamos fazendo televisão, então dizemos: 'Não, explique isso um pouco melhor' ou 'Você pode dizer isso novamente de uma maneira que faça sentido para nós?'. Mas, realmente, do segundo dia ao 20º, é basicamente chegar e observar que tipo de problemas eles estão tentando resolver.
O Global Showdown é um pouco diferente porque eles estão fazendo tudo isso — construindo o abrigo, procurando comida, caçando —, mas também participam de competições a cada poucos dias e veem pessoas sendo eliminadas. Então existe um equilíbrio, e acho que encontramos um bom ponto nesse equilíbrio".
A Discovery está passando por um processo de reposicionamento de marca. Como 'Largados e Pelados' se encaixa nessa nova estratégia?
David Story: É um pouco cedo para dizer. A Discovery+ está passando por muitas mudanças. Você deve saber que, nos Estados Unidos, a Paramount está tentando comprar a Discovery e a Warner Bros. Mas acho que o que mantém e permanece estável para o nosso programa é que ele é um dos mais bem avaliados, especialmente nas noites de domingo na Discovery, quase sempre somos o programa líder de audiência da emissora nesse horário e nos Estados Unidos e, de qualquer forma, na América do Norte.
Não acho que ninguém esteja pedindo mudanças fundamentais no programa. Eles estão apenas pedindo novas ideias que realmente atraiam os espectadores. E acho que, no cenário geral, ainda é muito difícil ganhar dinheiro com os serviços de streaming. Por isso, estamos procurando conceitos que realmente consigam se destacar no meio de todo o conteúdo e se tornem grandes sucessos tanto no streaming quanto na televisão tradicional, por cabo e satélite.
Você diria que 'Largados e Pelados' é uma das franquias mais valiosas da Discovery? E qual foi a importância do programa para o negócio da emissora ao longo dos anos?
David Story: Acho que foi muito importante. Domingo à noite é um horário de audiência muito importante na América do Norte para a televisão. E houve algumas vezes em que tentaram desenvolver uma nova série que pudesse ocupar o lugar do programa nas noites de domingo, mas simplesmente não conseguiram. Perceberam que somos uma espécie de pilar da programação de domingo à noite da emissora e eles têm sido muito bons em garantir que mantenhamos isso, criando ideias para prender a atenção dos espectadores.
Você diria que é a franquia mais valiosa do canal?
David Story: Eu diria que existe uma espécie de empate entre Gold Rush e Largados e Pelados. Eles têm muitos outros programas que estão no ar há muitas temporadas. Acho que as pessoas que assistem à Discovery são muito leais à emissora, e estamos muito felizes que sejam leais a Largados e Pelados.
Falando sobre o programa ao redor do mundo, existem planos de ampliar a participação de brasileiros após a participação de René e Marina no 'Largados e Pelados: Global Showdown'?
David Story: Sim. Acho que uma coisa sobre a qual ainda não falamos é o tamanho que o programa tem no Brasil. Ele é muito grande aí há anos. Eu filmei um episódio no Brasil e, quando contamos às pessoas que estávamos fazendo Largados e Pelados, as portas se abriram em todos os lugares. Nós amamos nossos fãs brasileiros. Nossos participantes, quando vão ao Brasil, são reconhecidos nas ruas, nos aeroportos. Acho que nosso elenco é mais famoso no Brasil do que nos Estados Unidos. E nós adoramos isso sobre o Brasil. Tivemos, obviamente, dois participantes brasileiros muito bons, René e Marina, que competiram no Global Showdown e, pelo que ouvi, a audiência do Brasil acompanhava essas duas pessoas fantásticas. Definitivamente, temos interesse em fazer mais coisas com o Brasil.
Só existe um problema: os Estados Unidos são conhecidos por talvez terem um pouco menos de paciência com legendas e com pessoas que não falam inglês muito bem. Tem esse o obstáculo. Nós certamente faremos mais coisas com o Brasil e mais programas que envolvam o público brasileiro sempre que pudermos, mas precisamos encontrar os participantes certos, que consigam fazer isso funcionar nos dois lados: algo emocionante para o público brasileiro, mas também compreensível para os americanos.
Depois de tantos anos produzindo programas de sobrevivência, qual foi a maior lição que 'Largados e Pelados' ensinou a você sobre a natureza humana?
David Story: "Me ensinou que a mente humana é muito forte e que o corpo humano é quase tão forte quanto. Tudo depende da mentalidade, de como você consegue passar por isso. E tivemos pessoas cuja força mental é impressionante para mim. E eles [participantes] me surpreendem. Tenho uma admiração enorme por eles todos os dias".
Há algo que você queira comentar sobre a participação de René e Marina em 'Largados e Pelados: Global Showdown'? No Brasil, o fato de ela pescar com a genitália repercutiu bastante.
David Story: Ah, que eu amei René e a Marina, e que foi uma honra trabalhar com eles. Eu definitivamente gostaria de trabalhar com eles novamente. Acho que, se os brasileiros ainda não assistiram ao 'Global Showdown' e não viram como o país se saiu até agora, deveriam assistir assim que puderem, porque René e Marina foram muito divertidos de acompanhar. Meu único arrependimento é que algumas das interações deles no acampamento eram tão engraçadas e maravilhosas de assistir, mas não conseguimos mostrar tudo porque estávamos exibindo os demais competidores Eles são pessoas muito carismáticas, muito queridos, e fico feliz que tenham representado o Brasil tão bem.