Quem é Amy Madigan, veterana de 'A Hora do Mal' e vencedora do Oscar 2026

A atriz se recusou a cumprimentar diretor e afirma considerar um 'erro vergonhoso' da Academia ter entregado um Oscar honorário ao cineasta

15 mar 2026 - 20h14
(atualizado às 20h40)

Apontada como uma das favoritas ao Oscar 2026 de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em A Hora do Mal, a atriz Amy Madigan, 75 anos, já esteve na plateia da cerimônia máxima do cinema mundial diversas vezes. Uma, no entanto, entrou para a galeria de momentos emblemáticos da premiação.

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Amy Madigan como Tia Gladys, em ‘A Hora do Mal’
Amy Madigan como Tia Gladys, em ‘A Hora do Mal’
Foto: @le0themua via Instagram / Estadão

Em 1999, Madigan decidiu não aplaudir a entrega do Oscar honorário ao diretor americano Elia Kazan, apontado como o descobridor dos astros galãs Marlon Brando e James Dean. O cineasta, na época com 90 anos, foi recebido no palco por Robert De Niro e Martin Scorsese.

Na plateia, Madigan e seu marido, Ed Harris, permaneceram imóveis - ela, inclusive, ficou de braços cruzados. Os dois sequer se levantaram, enquanto centenas de outros convidados aplaudiam Kazan.

A atriz não concordava com o fato de Kazan ter prestado, em 1952, um depoimento ao Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara que, entre 1947 e 1957, perseguia supostos agentes soviéticos e comunistas infiltrados no governo e na indústria cultural. A política ficou conhecida como macarthismo, uma referência ao senador Joseph McCarthy, que liderava o movimento.

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Kazan teria feito sua delação para poder continuar a trabalhar na indústria cinematográfica americana já que, no passado, havia sido comunista.

Neste ano, em entrevista ao podcast The Envelope, Madigan justificou seu ato. "Achei que foi um erro e realmente um tanto vergonhoso por parte da Academia fazer aquilo", disse.

Madigan também explicou que seu pai era um analista político na época e sofreu com as investidas do macarthismo. A atriz afirmou que seu pai, que já morreu, evitava falar sobre o assunto. Ela também alegou que pessoas ligadas ao cinema foram vítimas da política de caça às bruxas.

Amy Madigan e Wagner Moura em almoço dos indicados ao Oscar
Foto: Reprodução/@kleber_mendonca_filho via Instagram / Estadão

Madigan afirmou que, embora a imagem dela e do marido de braços cruzados tenha se tornado um marco, ela tem certeza que outras pessoas que estavam presentes na premiação naquela noite tinham o mesmo sentimento que eles. "Não consigo desassociar o que ele fez de sua arte", finalizou a atriz.

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Amy Madigan recebe esta segunda indicação ao Oscar depois de 40 anos de sua primeira, também de Melhor Atriz Coadjuvante, por Duas Vezes na Vida, drama lançado em 1985.

"É uma sensação incrível, para ser sincera, porque eu não esperava, mas continuo amando muito o que faço. Amo atuar e espero continuar a fazer isso", disse a artista ao site americano Gold Derby.

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