A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo premiou a ficção colombiana Cinco Anos, Quatro Meses com o Troféu Bandeira Paulista, além de eleger O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas como melhor documentário. Fernanda Tovar venceu melhor direção por Chicas Tristes, e a crítica premiou Pequenas Tragédias. Pelo público, 100 Dias e Feito Pipa dividiram a melhor ficção nacional, enquanto Fernanda venceu como documentário brasileiro e O Sentido da Vida como ficção internacional.
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo revelou na noite desta quinta, 29, os filmes vencedores de sua 50º edição. Em cerimônia realizada no Teatro Cultura Artística, na região central, foram premiados filmes como o colombiano Cinco Anos, Quatro Meses e os brasileiros Feito Pipa e 100 Dias.
O júri da Competição Novos Diretores foi composto pelos cineastas Boots Riley (EUA), Ali Asgari (Irã), Cesar Augusto Acevedo (Colômbia) e Laís Bodanzky (Brasil). Eles concederam o Troféu Bandeira Paulista de melhor ficção a Cinco Anos, Quatro Meses, dirigido por Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio. O longa conta a história de uma mulher de 45 anos cujo filho desapareceu durante o conflito armado colombiano.
O melhor documentário foi O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada, sobre a artista indígena Sara Flores. O júri também concedeu um prêmio especial a Edward Said: Entre Mundos, documentário de Maiken Baird que percorre quase toda a vida do intelectual palestino-americano e como ela se conecta com a própria história da Palestina.
A melhor direção foi para a mexicana Fernanda Tovar, por Chicas Tristes, sobre duas jovens nadadoras que têm suas vidas transformadas depois de uma delas sofrer uma violência terrível. O filme também foi premiado como melhor filme internacional pelo júri da crítica, composto por 30 profissionais brasileiros, incluindo Luiz Carlos Merten, crítico do Estadão.
Já o melhor filme brasileiro escolhido pelos críticos foi Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco. O filme é inspirado na história do próprio diretor e roteirista e conta a saída de Daniel, um jovem LGBT+, de Catalão, no interior do Goiás, para fazer faculdade no Rio de Janeiro e seu retorno à cidade dez anos depois.
O prêmio do público de melhor filme de ficção brasileiro foi dividido entre 100 Dias, filme de Carlos Saldanha que conta a travessia histórica de Amyr Klink pelo Atlântico, e Feito Pipa, de Allan Deberton, o longa escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027. O filme acompanha o menino Gugu e sua avó Dilma, que começa a sofrer com problemas de memórias.
O melhor documentário internacional, para o público, foi também O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas. Já o melhor filme documental brasileiro foi Fernanda, de Pedro Waddington, um documentário intimista sobre a vida e carreira de Fernanda Montenegro.
O Sentido da Vida, do japonês Ryusuke Hamaguchi, foi premiado pelo público como melhor filme de ficção internacional. A produção aborda a relação transformadora entre a diretora de uma casa de repouso nos arredores de Paris e uma dramaturga japonesa em estado terminal.
Premiações paralelas
Nas premiações paralelas, o prêmio Netflix foi para Talismã, de Thais Fujinaga. O prêmio licencia para streaming um filme brasileiro ainda sem janela de exibição em plataformas digitais. Já o Prêmio Paradiso, que oferece aporte financeiro para distribuição, foi para A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr.
O Prêmio Prisma Queer escolheu Eu Planto Minha Mão no Jardim, de Boris Hadžija e Hoda Taher, como melhor filme internacional, e London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, como melhor filme brasileiro. O prêmio especial do júri foi para A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Viva Couto.
A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo foi encerrada, mas ainda há sessões de "repescagem" até a próxima quarta-feira, 4. Confira a programação aqui.