Após 'A Odisseia', a ilha de Ulisses espera onda de turistas; antes da estreia, hotéis já lotaram

Destino grego longe dos grandes centros turísticos do país, Ítaca é rica em história e mitologia. Referências a Homero e seus personagens estão em toda parte

11 ago 2026 - 20h40

Em pé na balsa enquanto espera para atracar na ilha grega de Ítaca, Giorgia Ongarato não consegue evitar falar sobre A Odisséia, poema épico que inspirou o sucesso cinematográfico de Christopher Nolan. A advogada italiana afirma que seu sonho era visitar Ítaca, o lar de Ulisses no poema. Vestindo uma camiseta com a palavra "Odisséia" e um verso impressos, ela explica entusiasmada: "Estudei grego quando era criança e estudei A Odisséia".

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Embora tenha deixado claro que o filme não foi sua porta de entrada para a história de Ulisses lutando para voltar para casa após a Guerra de Troia, a italiana de 50 anos diz que também é fã do longa, o qual classifica como "maravilhoso". Comerciantes e autoridades da ilha grega esperam agora que o filme inspire muito mais pessoas a seguirem seus passos.

Ítaca está distante dos principais centros turísticos da Grécia e, apesar de suas águas cristalinas e baías espetaculares, nunca foi uma parada habitual de viajantes. Seu interior é acidentado, coberto por oliveiras e ciprestes, e o destino surpreende pela calmaria mesmo no auge da temporada de verão.

Apesar de ter despertado o interesse de muitos, o filme também gerou certa polêmica no país europeu. Não há atores gregos entre os papéis principais, e a produção optou predominantemente por locações distantes da terra de Homero. Embora tenham gravado algumas partes na Grécia, nenhuma cena foi filmada em Ítaca. O diretor escolheu, em seu lugar, a Ilha de Favignana, na Itália. Essa decisão dividiu opiniões no destino grego, onde vivem cerca de 3.000 habitantes.

O filme foi exibido duas vezes em Ítaca em cinemas ao ar livre desde sua estreia mundial, em 16 de julho. Xhimi Xoxha, dono de um restaurante em Vathí, a capital da ilha, mostrou-se satisfeito e afirma que o filme já estava "gerando publicidade", prevendo que os efeitos positivos continuarão.

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Divulgação é grande, apesar da ausência no filme

Embora o prefeito de Ítaca, Dionysis Stanitsas, concorde que a publicidade é "enorme", ele não consegue esconder sua decepção pelo fato de a ilha não aparecer no filme. "Entramos em contato com a equipe de produção e pedimos que filmassem algumas cenas aqui na ilha. Infelizmente, não foi possível", conta. Agora, ele confia que a demanda aumentará no próximo ano. Antes da estreia do filme, as acomodações já estavam lotadas. "À medida que mais pessoas o assistirem, começarão a planejar viagens para visitar a ilha", garante.

Os visitantes não encontrarão o palácio de Ulisses ou algum sítio arqueológico espetacular que confirme a existência do herói homérico. No entanto, as praças dos povoados e os edifícios governamentais estão repletos de estátuas de Ulisses e de Homero. Há também outros indícios da rica herança literária da ilha: no pequeno e ensolarado porto, barcos balançam em águas esverdeadas ostentando nomes como Telêmaco (filho de Ulisses) ou Calipso (a deusa que o manteve prisioneiro). As lojas de souvenir oferecem bustos de Homero e Penélope, a esposa do herói.

O arqueólogo Spyros Couvaras está entre os que esperam um aumento drástico de visitantes, afirmando ser claro que os turistas buscam mais do que apenas sol e mar: eles querem história e mitologia. E disso a ilha tem de sobra.

A uma curta distância das lojas e dos restaurantes do porto, os turistas de verão se espalham em espreguiçadeiras sob guarda-sóis na Praia de Dexia, envoltos pelo som estridente das cigarras. Segundo a lenda, esse é o local exato onde Ulisses desembarcou após anos de navegação. Couvaras afirma que a "força motriz" por trás desse renovado interesse é, sem dúvida, o filme. "Mas, por trás do filme de Nolan, está Homero", conclui. / AFP

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