Para quem não é muito fã de filmes de super-heróis, é fácil imaginar que grandes produções do gênero se resumem a efeitos especiais, batalhas grandiosas e mais uma tentativa de salvar a cidade de Nova York.
Não é difícil, portanto, deixar de lado essas histórias por acreditar que, em meio a tantos poderes e cenas de ação, sobra pouco espaço para reflexões realmente humanas.
Mas talvez seja justamente por trás dessa fantasia que algumas das metáforas mais interessantes estejam escondidas.
"Homem-Aranha: Um Novo Dia", por exemplo, usa a trajetória de Peter Parker para falar sobre algo que vai muito além de heróis e vilões: a maneira como lidamos com o luto e aprendemos a conviver com a dor de uma perda.
Um luto que não é superado, mas transformado
Um dos aspectos mais interessantes do filme é a maneira como Peter Parker continua conversando, em sua imaginação, com a tia May muito tempo depois de sua morte.
Em vez de apresentar esse comportamento como um sinal de que algo está errado, a história o trata como uma parte natural do processo de elaboração do luto.
Segundo uma análise publicada no The Conversation, essa cena reflete uma ideia respaldada por pesquisas de que uma perda nunca é totalmente "superada", mas aprendemos a crescer ao redor dela e a manter um vínculo saudável com a pessoa que já não está presente.
A reflexão também ajuda a entender por que tantas pessoas podem se sentir culpadas por continuar "pensando demais" em alguém que perderam, quando, na verdade, essa conexão...
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