Você conhece os filhos e filhas de Gandhy? Eles transformam carnaval de Salvador em 'dança para orixás'

Diferentemente da maioria dos blocos, não são os artistas que atraem os foliões para os blocos, mas a tradição

17 fev 2026 - 04h58
Integrantes do Filhas de Gandhy destacam importância do bloco: ‘Transmite alegria, amor e respeito’
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Atrás dos blocos de Ivete Sangalo e Bell Marques, na tarde desta segunda-feira, 16, no circuito Barra-Ondina, estendeu-se um tapete branco. Eram os filhos e filhas de Gandhy que seguiam com seus afoxés pelo carnaval de Salvador. Diferentemente dos blocos anteriores, não são os artistas que atraem os foliões para o Gandhy, mas a história.

"Hoje tenho 27 anos que saio no Gandhy. Eu via na televisão, mas não sabia o amor que tem quando sai de filhos de Gandhy. É inesquecível. Até enquanto eu estiver em vida", descreve Tarcivan Reis, de 50 anos. Ele estava acompanhado por dois sobrinhos, um menino e uma menina, ambos de 11 anos de idade.

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As crianças vestiam o traje tradicional do Gandhy e já dançavam antes mesmo do bloco começar a andar. "Eles falam assim 'eu nunca mais vou deixar de sair no Gandhy'", conta o tio, que está em seu segundo ano levando as crianças.

A história dos pequenos parece com a de Luciano Gomes, de 43 anos. Há 32, ele sai no bloco de afoxé. Quem o levava também era um tio. "O Gandhy é o firmamento de paz do povo do Candomblé no carnaval de Salvador, é a resistência do povo de santo", afirma.

O "tapete branco" foi como ficou conhecido o bloco dos Filhos de Gandhy
O "tapete branco" foi como ficou conhecido o bloco dos Filhos de Gandhy
Foto: Maria Clara Andrade/Terra

Acompanhado da esposa, Luciano desmente a história de que Gandhy dá colares em troca de beijos das mulheres. "É mito", diz.

Josias Nascimento, 53, descreve o ato de entregar um colar de Gandhy a alguém como uma "distribuição de paz na avenida". "São as cores de Oxalá, Ogum. Não existe essa coisa de beijo. Foi inventado pela população, funciona às vezes", explica. Apesar de falar com propriedade sobre os orixás, Josias não é adepto de religiões de matrizes africanas mas acha "bonito de se ver".

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As filhas de Gandhy

Logo atrás do cortejo dos homens, vem o das mulheres. Elas estão em número menor e não participam do bloco há tantos anos -- todas as mulheres que conversaram com o Terra não tinham mais que cinco anos como Filha de Gandhy. Ainda assim, a entrega e devoção parece ser a mesma.

"As Filhas de Gandhy são um grupo feminino que traz ancestralidade, que respeita nossos orixás e que está sempre evoluindo", afirma Ana Lúcia, de 65 anos. Praticante do Candomblé, ela conta que sai no bloco porque gosta de "dançar para os orixás".

Mulheres contam que gostam de sair no Gandhy para reverenciar os orixás
Foto: Maria Clara Andrade/Terra

Assim como o bloco masculino, há mulheres de diversas idades no cortejo. Indi Luz, que prefere dizer apenas que está na faixa dos 20 e poucos anos, vê as Filhas de Gandhy como exaltação da força feminina.

"Aqui exalta a minha autoestima, a minha ancestralidade, traz também a questão da gente lutar pelos nossos ideais. E eu também sou acadêmica e estar aqui me fortalece", diz

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*A cobertura de carnaval do Terra tem apoio de Bluefit, Gol, Magalu, Mercado Pago, OMO e Popeye's #TerraNoCarnaval

Fonte: Portal Terra
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