'Nossos luxos se baseiam na miséria dos outros', diz Javier Bardem em Veneza

Ator de 'Bunker' refletiu sobre avanço da extrema direita na Europa

8 set 2026 - 11h35
(atualizado às 12h29)
Resumo
No Festival de Veneza, ao divulgar o filme "Bunker", Javier Bardem afirmou que os luxos das nações ricas se sustentam na miséria alheia, exemplificando com o consumo de celulares e a exploração de cobalto. Ao abordar o avanço da extrema direita, o ator defendeu que a imigração decorre de guerras, pobreza e crises climáticas. Ele cobrou responsabilidade coletiva e apoio a medidas políticas e sociais que melhorem as condições de vida nos países de origem dos migrantes, superando a mera culpa.

O ator espanhol Javier Bardem afirmou nesta terça-feira (8), no Festival de Cinema de Veneza, que os "luxos" das classes e países mais ricos se baseiam na "miséria" dos outros.

Javier Bardem e Penélope Cruz, estrelas de 'Bunker', no Festival de Cinema de Veneza
Javier Bardem e Penélope Cruz, estrelas de 'Bunker', no Festival de Cinema de Veneza
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O astro apresentou o filme "Bunker", de Florian Zeller, no qual contracena com sua esposa, Penélope Cruz, e que está na disputa pelo Leão de Ouro em 2026. Em entrevista coletiva, foi questionado sobre o avanço da extrema direita em vários países europeus, movimento impulsionado pelo medo e ódio aos imigrantes.

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"Há muitos países na Europa que estão se tornando mais extremos em relação à imigração, mas a causa é outra. É uma razão política, geopolítica, social e climática à qual precisamos prestar atenção. Caso contrário, haverá cada vez mais imigração, porque as pessoas fogem de guerras, da miséria e de lugares impossíveis de viver a 50ºC", disse Bardem.

Em seguida, o ator criticou o modelo de consumo dos países ricos. "Nós somos responsáveis. Nossos luxos se baseiam na miséria de outra pessoa. Todos sabemos disso, a começar pelos nossos celulares ? e eu sou um consumidor, tenho meu telefone aqui com meu cobalto [metal extraído em países africanos e usados na fabricação de eletrônicos]. Todos temos", acrescentou.

Sem recorrer ao que chamou de "culpa judaico-cristã", Bardem defendeu reflexão e ação sobre as desigualdades. "Trata-se de refletir, de ter consciência e de assumir responsabilidade, e também de apoiar medidas políticas e sociais que ajudem as pessoas que querem fugir a ter uma vida melhor em seus países de origem", afirmou.

Em "Bunker", Bardem interpreta um arquiteto que aceita um projeto para construir um abrigo para a sobrevivência de um magnata da tecnologia, enquanto sua esposa, vivida por Penélope Cruz, começa a questionar o casamento deles após 17 anos de união.

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