Ellen Burstyn recebe Leão de Ouro pela carreira em Veneza e faz apelo aos EUA

Atriz americana disse esperar que seu país encontre o caminho certo

7 set 2026 - 12h45
(atualizado às 16h18)
Resumo
Aos 93 anos, a atriz Ellen Burstyn recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira no Festival de Veneza. Emocionada, foi elogiada pela cineasta Maggie Gyllenhaal e usou uma metáfora sobre superar perigos nas filmagens de "Alice Não Mora Mais Aqui" para pedir que os Estados Unidos encontrem um rumo seguro. Burstyn também celebrou os avanços para as mulheres na indústria cinematográfica e destacou sua atuação no curta "Flesh Impact", no qual interpreta uma versão centenária de Marilyn Monroe.

Ellen Burstyn, uma das maiores atrizes da história do cinema americano, recebeu nesta segunda-feira (7) o Leão de Ouro pelo conjunto da carreira no Festival de Veneza e aproveitou o discurso para fazer um apelo por novos rumos nos Estados Unidos.

Ellen Burstyn com o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira
Ellen Burstyn com o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Diante de uma plateia de pé, a estrela de 93 anos não conteve a emoção. "Vocês me fazem chorar", disse Burstyn, elegante em um vestido amarelo longo com casaco combinando. "Percebi que um prêmio pelo conjunto da obra não é apenas um testemunho do que você realizou, mas também do que aprendeu", acrescentou.

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A atriz, vencedora do Oscar por "Alice Não Mora Mais Aqui", de Martin Scorsese, contou uma anedota a respeito das gravações do longa que acabou virando lição de vida.

"Eu estava filmando uma cena de carro, e havia um grande precipício do lado direito do veículo. O problema é que eu estava com Martin Scorsese, o diretor de fotografia, o operador de câmera e o técnico de iluminação sobre o capô, e não conseguia ver a beirada da estrada; eu poderia ter derrapado e matado todos nós. Então, percebi que bastava seguir a linha branca no meio da estrada. E foi assim que consegui não matar o Scorsese", afirmou ela, sorrindo.

"Entendi que seguir aquela linha branca é um bom exercício para sair de dificuldades. E fiz isso pelo resto da vida. Espero, na verdade, rezo para que meu país encontre sua linha branca muito em breve e que vocês também encontrem a de vocês", acrescentou.

A cerimônia foi aberta com um discurso de Maggie Gyllenhaal, presidente do júri do Festival de Veneza neste ano e diretora de Burstyn no curta "Flesh Impact", exibido logo após a premiação.

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No filme, a atriz interpreta uma Marilyn Monroe centenária e idealizada. "Ellen Burstyn é nossa rainha", declarou Gyllenhaal, lembrando papéis marcantes em longas como "O Exorcista" e "Réquiem para um Sonho".

"Ellen está presente em todos aqueles personagens. Com o corpo, claro, mas também com o cérebro, o coração, a mente e a vida. Compartilhar isso conosco é um gesto de enorme coragem e afeto", salientou.

Em entrevista coletiva pela manhã, Burstyn contou sobre a vez em que cruzou com Marilyn Monroe em uma boate: "Ela estava sentada não muito longe de mim, e fiquei encantada. Era uma criatura mágica. Quando nossos olhares se cruzaram, ela acenou. Guardei esse momento no coração desde então".

Sobre a evolução do papel das mulheres na indústria, ela afirmou que o cenário "mudou enormemente". "Quando comecei, não havia mulheres no set, atrás das câmeras, na equipe, em lugar nenhum, apenas nós, atrizes. Aos poucos, graças também a pessoas como Gloria Steinem, que faleceu recentemente, a mentalidade começou a mudar. Ainda não chegamos a 50/50, mas estamos perto", disse.

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A atriz também refletiu sobre o contato com novas gerações de cineastas. "Descobri que diretores talentosos são mais criativos no início da carreira. Depois, passam pelo que chamo de fábrica de hambúrgueres de Hollywood e perdem parte da inocência", brincou.

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