Um robô jogador de tênis de mesa, batizado de Ace, foi capaz de derrotar atletas de alto nível no esporte, inclusive profissionais. A criação da Sony usa inteligência artificial (IA) e funciona de forma autônoma, sendo o primeiro robô a alcançar desempenho de especialista em um esporte físico.
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A tecnologia é um braço mecânico com sensores de alta velocidade, controle por IA e sistema de última geração. Desde 1983, existem robôs jogadores de tênis de mesa, mas até então, nenhum deles havia conseguido competir com humanos experientes.
O Ace enfrentou profissionais de elite e chegou a vencer uma partida seguindo as regras da Federação Internacional de Tênis de Mesa. As partidas foram arbitradas por juízes licenciados.
"Ao contrário dos jogos de computador, em que os sistemas de IA anteriores superaram os especialistas humanos, os esportes físicos e em tempo real, como o tênis de mesa, continuam sendo um grande desafio", diz Peter Dürr, líder do projeto Ace da Sony AI em entrevista à agência de notícias Reuters.
“Eles exigem interações rápidas, precisas e adversárias perto de obstáculos e no limite do tempo de reação humana”, completou.
Dürr é o autor principal de um estudo, publicado nesta quarta-feira, 22, na revista Nature, que detalha os feitos do Ace. Segundo ele, o objetivo do projeto não era apenas competir no tênis de mesa, mas entender como robôs podem perceber, planejar e agir com rapidez e precisão em situações que mudam o tempo todo.
Ele diz ainda que as técnicas usadas no Ace podem ser aproveitadas em outras áreas que precisam de respostas rápidas e interação com pessoas. Exemplos disso são os usos em fábricas, serviços, esportes, entretenimento e áreas que exigem segurança.
Como funciona o robô
O Ace possui câmeras sincronizadas e três sistemas de visão para rastrear uma bola com precisão e processamento rápido suficiente para “capturar movimentos que seriam um borrão para o olho humano", afirma Dürr.
O robô também tem oito articulações, o mínimo necessário para executar jogadas competitivas. Três delas são para posicionar a raquete, duas para a orientação e três para a velocidade e força da tacada.
O estudo detalha que em abril de 2025 o Ace venceu três de cinco partidas contra jogadores de elite e perdeu duas contra profissionais, nível mais alto de habilidade no esporte. Depois disso, a Sony IA informou que o Ace venceu dois profissionais em dezembro de 2025 e, novamente, em março de 2026.
A tecnologia avança em diversos países, em várias empresas. No último domingo, 19, robôs superaram atletas em uma meia-maratona em Pequim, na China.
A jogadora profissional de tênis de Meza Mayuka Taira, que perdeu uma partida para o Ace em dezembro, afirmou que o ponto forte do robô é que ele é “muito difícil de prever e não demonstra nenhuma emoção”, contou em comentário à Sony IA. "Como não é possível ler suas reações, é impossível perceber que tipo de golpes ele não gosta ou tem dificuldades, o que torna ainda mais difícil jogar contra ele", disse.
O jogador de elite Rui Takenaka que ganhou e perdeu partidas contra o Ace, afirmou que, caso efetuasse um saque com giro complexo, o robô devolvia a bola do mesmo jeito, aumentando a dificuldade.
“Mas quando eu usava um saque simples, o que chamamos de saque de mão, o Ace devolvia uma bola mais simples. Isso facilitou meu ataque na terceira tacada, e acho que esse foi o principal motivo de eu ter conseguido vencer", contou.
As reações do robô são explicadas pelo fato de que ele aprende observado os humanos, mas treina por si em uma simulação, e reage de forma diferente dos jogadores humanos, criando situações surpreendentes, segundo o líder do projeto.