Os EUA e a China firmaram uma trégua tecnológica. No entanto, como explica Chris Miller, autor de A Guerra dos Chips, em sua newsletter, eles não firmaram a paz de forma alguma. O que foi acordado é uma pausa estratégica na qual ambas as potências acreditam que o tempo está a seu favor. Cada uma tem sua própria teoria de como vencerá a disputa. E essas teorias são radicalmente diferentes, como seria de se esperar no atual cenário de confronto.
A administração liderada por Donald Trump fez uma concessão importante: permitiu que a Nvidia forneça a alguns de seus clientes chineses seu segundo chip mais potente para inteligência artificial (IA), a GPU H200. Seu hardware mais avançado continua sujeito a restrições rígidas. Ainda assim, essa medida não envolve qualquer tipo de generosidade: vender os H200 gera receita para a Nvidia e seus aliados, enquanto os chips realmente estratégicos (Blackwell e Vera Rubin) permanecem, em teoria, fora do alcance de Pequim.
A lógica do governo Trump é a seguinte: se a IA será o motor da economia e do poder geopolítico nas próximas décadas, os EUA só precisam manter sua vantagem na fronteira tecnológica por tempo suficiente para que essa vantagem se torne estrutural. Na base de sua estratégia está a convicção de que a inteligência artificial geral (AGI) transformará o mundo de forma irreversível. A trégua dá tempo para consolidar essa vantagem e para que seus modelos de IA demonstrem seu valor econômico antes que a China consiga alcançá-los.