Estudo publicado na Nature revela que a desorientação de nanocristais no esmalte dentário humano e de primatas está ligada a adaptações evolutivas à dureza dos alimentos, influenciada por mudanças dietéticas históricas como o consumo de carne, agricultura e industrialização.
Cientistas desvendaram um segredo milenar guardado nos dentes: a nanoestrutura do esmalte dentário, o tecido mais resistente dos vertebrados, revela as mudanças na dieta ao longo da evolução humana. Conforme publicado na revista Nature em junho, um estudo recente mostra que a organização dos nanocristais minerais nos dentes de primatas, incluindo o Homo sapiens, é uma resposta adaptativa à dureza dos alimentos.
Adaptação evolutiva
O esmalte dentário é o tecido mais duro presente em vertebrados. A espessura e a microestrutura dessa parte do dente têm associação com a dieta do organismo. No entanto, a forma como isso acontecia ainda era pouco compreendida pelos pesquisadores.
O artigo analisa a desorientação estratégica dos nanocristais nos dentes de humanos modernos e de outras oito espécies de primatas. Segundo o levantamento, essa característica reflete respostas adaptativas à dureza dos alimentos consumidos.
A alimentação
A pesquisa indica que a desorientação dos nanocristais do esmalte aumentou com três grandes mudanças na alimentação humana: o consumo de carne, o surgimento da agricultura e a Revolução Industrial. Isso indica que os dentes se adaptaram em nível microscópico, o que pode ajudar a tornar o esmalte mais resistente — algo que pode inspirar novos materiais.