Aeronaves comerciais são projetadas com blindagem eletromagnética, suportando raios sem afetar a segurança do voo, pois a corrente elétrica é dissipada pela estrutura externa da fuselagem.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou na última semana que 129,6 milhões de viajantes domésticos e internacionais foram transportados nos aeroportos brasileiros em 2025. Com tanta gente viajando, é natural que algumas pessoas possam se questionar sobre o que acontece se um raio cair em um avião. Afinal, será que derruba uma aeronave?
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Em entrevista ao Terra, Lito Sousa, especialista em aviação e criador de conteúdo, disse que aviões comerciais são projetados, testados e certificados para suportar impactos diretos de raios, que são tratados como um risco conhecido e controlado. De acordo com o especialista, embora possa assustar alguns, raio não derruba avião.
“Um raio não derruba um avião que foi certificado para transporte de passageiros porque os aviões comerciais são projetados, testados, certificados para suportar impactos diretos de raio. E estudos dizem que, em média, uma aeronave comercial é atingida por um raio uma vez por ano, sem qualquer consequência operacional grave”, disse Lito Sousa.
Conforme explica o especialista, quando um raio atinge um avião ocorre o efeito da gaiola de Faraday, que faz com que a corrente elétrica percorra a estrutura externa da aeronave e se dissipe sem atravessar a cabine ou atingir os passageiros. Para quem está a bordo, não há risco de choque elétrico, e na maioria das vezes o impacto passa despercebido.
“A corrente elétrica do raio, ela entra em qualquer ponto da fuselagem, percorre toda a estrutura externa metálica ou condutiva, se o avião for de fibra de carbono, e sai por outro ponto da fuselagem, dissipando toda a energia do raio. Então ela não atravessa a cabine e também não atinge os ocupantes”, ressalta Lito Sousa.
Eventualmente, segundo Lito, pode haver um clarão, um som seco ou uma leve vibração, todos de curta duração. “Todos esses efeitos, se eles estiverem presentes, são de curtíssima duração e vão embora rapidamente”, acrescenta.
Para os pilotos, os procedimentos em geral quando é atingido por um raio são bem objetivos, segundo o especialista, permitindo que o voo continue normalmente e a inspeção seja feita depois do pouso.
Sobre o impacto na aeronave, Lito afirma que os danos causados por raios costumam ser superficiais, como pequenas marcas na fuselagem ou no radome, sem comprometer a segurança do voo.
“Em geral, são danos muito leves que podem ocorrer. São pequenas marcas na fuselagem, uns pontos por onde o raio entra e sai. E pode ter também dano no radome, que é a parte do nariz do avião porque aquilo lá é de material não metálico, e aí isso pode danificar, mas não afeta a segurança do voo”, garante Lito Sousa.