Na ONU, países em desenvolvimento pedem maior participação em futuro da IA

29 set 2026 - 15h59
Resumo
Em debate na ONU, líderes de países em desenvolvimento exigiram maior participação na governança global da inteligência artificial, alertando que a concentração de seu avanço nas nações ricas pode aprofundar desigualdades econômicas. O secretário-geral António Guterres e executivos do setor apoiaram a cooperação internacional, enfatizando o potencial de avanço para o Sul Global se houver inclusão, em contraste com a postura dos EUA, que minimizou os riscos da nova tecnologia.

Os países em desenvolvimento estão exigindo um papel ‌mais significativo na definição das regras que regerão a inteligência artificial, alertando que uma tecnologia prestes a transformar as economias poderia, ao contrário, agravar as desigualdades globais se seu desenvolvimento e regulamentação continuarem concentrados nos países ricos.

O debate realizado na semana passada no fórum diplomático da ONU em Nova York destacou a crescente preocupação entre líderes da África, Ásia e América Latina em relação a essa tecnologia cada vez mais poderosa, ⁠após várias falhas de segurança e diante dos alertas de importantes pesquisadores de que ela pode destruir a ‌humanidade.

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"Os países em desenvolvimento não podem ser reduzidos ao papel de meros usuários de tecnologias projetadas em outros lugares, nem devem ser meros destinatários de padrões e normas nos quais não participaram adequadamente da formulação", ‌afirmou a ministra das Relações Exteriores da República Democrática do ‌Congo, Thérèse Kayikwamba Wagner.

"Devemos garantir que as transformações tecnológicas do século 21 não reproduzam os desequilíbrios ⁠econômicos das décadas anteriores", disse a ministra.

Wagner fez os comentários em sessão do Conselho de Segurança dedicada à IA, que contou com a presença de executivos alto escalão de empresas líderes em IA, incluindo Sam Altman, da OpenAI; e Dario Amodei, da Anthropic; que defenderam os governos a trabalharem juntos para gerenciar a tecnologia.

Destacando o aumento do interesse pelo tema, o ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman, que presidiu o debate ‌da ONU este ano, disse que "há quatro anos, a IA foi mencionada nesta sala por apenas cinco delegações, este ‌ano, 128 delegações abordaram o assunto".

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QUESTÃO ⁠DE GOVERNANÇA

"Muitos enquadraram a ⁠IA como uma questão de governança: quem a projeta, quem se beneficia? Quem arca com os riscos e quem é ⁠responsável quando ocorrem danos", acrescentou o ministro das Relações Exteriores ‌de Bangladesh ao concluir a maratona ‌de discursos na ONU.

A IA pode permitir que os países em desenvolvimento alcancem um século de desenvolvimento em uma década, caso ajam rapidamente para suprir as lacunas em energia, conectividade e qualificação, afirmou o Banco Mundial em um relatório divulgado no mês passado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou em julho ⁠que a IA pode impulsionar a economia da África Subsaariana em cerca de 4% na próxima década, sob as circunstâncias certas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, comparou os debates sobre os riscos da IA e as mudanças climáticas e disse que os países em desenvolvimento deveriam ter voz igual em ambos.

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"A crise climática passou de um alerta distante para uma realidade cotidiana, ‌e a inteligência artificial avançou a uma velocidade que pegou de surpresa até mesmo aqueles que a criaram", disse ele.

"Essas não são crises separadas. São capítulos da mesma história, a história do poder: quem ⁠o detém, a quem ele é negado, como é usado e como está mudando", disse Guterres à ONU.

Assim como no caso das mudanças climáticas, Guterres e os líderes do Sul Global pediram uma ação coordenada, em vez de respostas nacionais isoladas às ameaças da IA.

O foco na regulamentação contrastou fortemente com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que descartou os riscos da IA como uma "farsa" e uma "conspiração doentia" e disse à ONU que, assim como as mudanças climáticas, eles são amplamente exagerados.

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"As mesmas pessoas que disseram que estaríamos todos mortos em 12 anos por causa do aquecimento global....são as mesmas que agora afirmam que a IA vai matar a todos nós", disse Trump.

O primeiro-ministro de Belize, John Briceño, disse que a IA, se bem regulada, pode ampliar o acesso ao conhecimento e melhorar os serviços públicos. Mas ele também alertou: "Mal regulada, ela pode aprofundar a desigualdade, expor sistemas críticos, substituir trabalhadores e deixar os países em desenvolvimento dependentes de tecnologias e regras criadas em outros lugares."

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