Existe uma forma de abrir uma palestra sobre inteligência artificial que praticamente todo palestrante usa: listar ferramentas, citar estudos de produtividade, mostrar um slide com o número de usuários do ChatGPT. Mike Walsh não fez nada disso.
Ele começou com um porto na Coreia do Sul.
No porto de Busan, considerado o país mais automatizado do planeta, as empresas já desistiram de automatizar os cais tradicionais. Estão construindo drones que descarregam navios antes mesmo de eles chegarem à costa. Um em cada dez trabalhadores sul-coreanos hoje é um robô. Não é metáfora. É a infraestrutura atual.
Esse dado de abertura resume bem o tom do que viria a seguir ao longo do NTT Data Interconnected: Walsh não estava lá para discutir adoção de ferramentas ou gestão de mudanças. Estava lá para argumentar que o rearranjo já chegou na escala de transformação civilizacional, e que a maioria das organizações ainda está debatendo qual software assinar enquanto o sistema inteiro muda ao redor delas.
De chatbot a "trabalho digital": o conceito que vai redefinir o mercado de trabalho
O ponto central da palestra é uma distinção que Walsh considera sistematicamente subestimada: a diferença entre IA como ferramenta e IA como trabalho.
"A IA não é mais apenas chatbots. São agentes de IA. E além dos agentes, há algo ainda mais poderoso: o trabalho digital. Trabalho digital é tecnologia de IA que faz o que trabalhadores do conhecimento fazem hoje. Ele escala como software e acumula valor como ...
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