Cientistas da Universidade de Lisboa desenvolveram uma estratégia inovadora de vacinação contra a malária, utilizando inibidores enzimáticos para bloquear o desenvolvimento do parasita Plasmodium, que induziu imunidade protetora em camundongos.
Cientistas da Universidade de Lisboa anunciaram um promissor avanço na luta contra a malária, na revista "Science", em 13 de agosto. No estudo, eles induziram imunidade protetora em camundongos utilizando drogas que têm como alvo as proteínas do parasita Plasmodium.
Embora duas vacinas infantis ofereçam proteção parcial da malária, persiste a necessidade médica de elevar a eficácia imunológica e expandir a proteção para outros grupos populacionais expostos ao risco de contágio. A nova pesquisa abre então caminhos para outro tipo de vacinação contra a doença.
O que revela p novo estudo?
A estratégia de vacinação química utiliza medicamentos para interromper o desenvolvimento do parasita Plasmodium no estágio hepático ou no estágio sanguíneo inicial. O objetivo é impedir que os esporozoítos, que infectam o fígado sem causar sintomas, se transformem em merozoítos maduros, responsáveis por infectar as hemácias e desencadear a doença sintomática.
Qual é o papel das proteínas plasmepsina IX e X?
As proteínas plasmepsina IX e X (PMIX/X) atuam como alvos biológicos essenciais para o ciclo do Plasmodium. Ao aplicar substâncias que inibem quimicamente essas enzimas nos esporozoítos, os pesquisadores bloquearam o desenvolvimento do parasita antes da fase sintomática do sangue.
O bloqueio químico induziu uma resposta imunológica protetora nos modelos animais testados, demonstrando a viabilidade do uso de inibidores enzimáticos como método de imunização medicamentosa.