Justiça manda Discord reforçar proteção de menores sob multa de R$ 100 mil por dia

Decisão obriga plataforma a ampliar controle de idade, supervisão parental e combate a conteúdos ligados a violência e automutilação

30 set 2026 - 16h04
Discord terá de suspender transmissões ao vivo no Brasil por determinação da ANPD
Discord terá de suspender transmissões ao vivo no Brasil por determinação da ANPD
Foto: Reprodução/Discord

A Justiça Federal determinou que o Discord adote uma série de medidas para reforçar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres na plataforma. A decisão prevê multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das determinações.

A decisão é da 14ª Vara Federal Cível do Distrito Federal e atende parcialmente a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que entrou com uma ação civil pública contra a empresa em agosto.

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Entre as determinações estão medidas para impedir a recriação de servidores, canais e comunidades removidos, inclusive por usuários que tentem retornar à plataforma com novas contas. O Discord também deverá preservar por pelo menos seis meses registros relacionados às investigações.

A Justiça determinou ainda que a empresa demonstre como faz a verificação de idade dos usuários e adote providências para cumprir as regras de vinculação de contas de menores de 16 anos a seus responsáveis legais. A plataforma terá de comprovar também a existência e a eficácia de ferramentas de supervisão parental, configurações de segurança e controles de privacidade.

O Terra procurou o Discord e aguarda um posicionamento sobre a decisão. O espaço segue aberto para manifestação.

Canal de denúncias em português

A plataforma também terá de manter capacidade de atendimento, segurança e moderação em português no Brasil, além de representante legal e canal de denúncias no País.

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Outra determinação é a criação de protocolos para casos de "sextorsão" envolvendo crianças e adolescentes, com preservação de informações e comunicação às autoridades. O Discord deverá ainda adotar mecanismos contra aliciamento e recrutamento de menores para práticas que possam resultar em lesão grave ou morte.

Conteúdos relacionados a automutilação, suicídio e violência grave identificados pela plataforma também deverão ser preservados e comunicados às autoridades nas situações previstas pela decisão.

A ordem judicial inclui ainda conteúdos de maus-tratos, mutilação e crueldade contra animais nos mecanismos de avaliação e moderação quando houver risco para crianças e adolescentes. Segundo o governo, investigações identificaram o uso desse tipo de conteúdo como instrumento de integração e escalada de violência em determinados grupos.

Vista da sede da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília (DF)
Foto: Divulgação / AGU

Ação cita morte de adolescente

A ação foi apresentada pela AGU em 25 de agosto. O órgão sustenta que o Discord apresenta falhas em mecanismos de verificação de idade e de proteção de usuários contra situações de risco. A iniciativa teve apoio técnico do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal.

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Entre os episódios citados está a morte de uma adolescente de 13 anos em julho. A AGU relaciona o caso às deficiências de proteção apontadas na ação. A decisão judicial, porém, ressalta que não é possível atribuir, neste momento do processo, responsabilidade direta do Discord pela morte.

Antes da decisão, houve uma tentativa de conciliação. A AGU considerou insuficiente a proposta apresentada pela plataforma e voltou a pedir à Justiça a adoção das medidas de urgência.

Nem todos os pedidos do governo foram aceitos. A Justiça não determinou, por exemplo, o monitoramento indiscriminado de comunicações privadas nem obrigou a empresa a manter uma sede física no Brasil. Também não acolheu, neste momento, a exigência de um sistema específico para interromper em tempo real transmissões relacionadas a automutilação, suicídio ou violência extrema.

Na ação principal, que continua em tramitação, a AGU também pede que o Discord seja condenado ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.

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Fonte: Portal Terra
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