Assim como povos antigos consultavam oráculos, o I Ching ou textos sagrados em busca de orientação, a humanidade moderna tem recorrido à inteligência artificial para tomar decisões e buscar respostas existenciais. Dados mostram que quase metade das interações com o ChatGPT envolve a busca por conselhos práticos, enquanto parte dos usuários já utiliza chatbots como suporte emocional, transformando tecnologias como o Ask Delphi em novos guias para dilemas humanos e éticos contemporâneos.
Durante milhares de anos, seres humanos recorreram a oráculos, profetas e práticas de adivinhação quando precisavam de respostas para questões que pareciam estar além do conhecimento individual. Hoje, uma tecnologia ocupa um espaço semelhante: os chatbots de inteligência artificial.
Um estudo com 1,1 milhão de conversas do ChatGPT descobriu que 49% das mensagens analisadas envolviam usuários em busca de informações ou conselhos para se informar melhor ou tomar decisões. Uma pesquisa do Pew Research Center publicada em 2026 também apontou que 10% dos americanos usam chatbots para apoio emocional ou companhia.
Oráculos ajudavam a responder perguntas difíceis
Na Grécia Antiga, pessoas viajavam até o oráculo de Delfos para buscar respostas sobre questões importantes. A sacerdotisa, conhecida como Pítia, entrava em transe e transmitia mensagens atribuídas ao deus Apolo.
Outras sociedades desenvolveram métodos diferentes. O I Ching, na tradição chinesa, utiliza combinações obtidas por procedimentos específicos para produzir respostas que são posteriormente interpretadas. Na tradição cristã, a bibliomancia consiste em abrir aleatoriamente um texto religioso e interpretar a passagem encontrada como orientação.
Pessoas já usam IA para decisões pessoais
Um exemplo anterior ao atual boom dos grandes modelos de linguagem foi o Ask Delphi, sistema criado por pesquisadores do Allen Institute for AI e da Universidade de Washington para responder a perguntas de natureza ética.
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