Nagoya é uma daquelas cidades que você esquece mesmo depois de ter estado lá, mas o mais curioso é que seus próprios habitantes admitem isso. É a quarta maior cidade do Japão e abriga algumas das maiores fortunas industriais do país (a começar pela Toyota). Mesmo assim, por décadas carregou um título que poucos lugares poderiam reivindicar: a cidade mais entediante do Japão. O problema? Não se trata de um insulto importado; é uma autoimagem.
A situação chegou a um ponto crítico em 2015, quando a Câmara Municipal encomendou uma pesquisa com moradores de oito grandes cidades para determinar qual era a mais atraente. Nagoya ficou em último lugar em quase todas as categorias, e a imprensa ficou sem palavras: todos escolheram sua própria cidade como favorita, exceto os nagoyanos — ou nagonianos, se preferir inventar gentílicos — que a colocaram em terceiro lugar, atrás de Kyoto e Tóquio.
Quando o problema tem nome, sobrenome e dialeto próprio
Parte da culpa recai sobre o apresentador de televisão Tamori. Na década de 1980, ele fez de Nagoya o alvo de suas piadas quando, por exemplo, insistiu que seus habitantes compensavam um complexo de inferioridade com uma culinária pouco refinada e um dialeto que acabou se tornando o sotaque padrão para personagens ridículos na comédia japonesa e a piada acabou se tornando uma reputação.
A contradição aqui é significativa. Nagoya é vista como uma cidade de comerciantes, onde cada decisão é filtrada pela ótica da utilidade econômica. Suas largas ...
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