IA no lugar de modelos? Campanhas de moda usam inteligência artificial para reduzir custos de produção

Marcas usam modelos virtuais e cenários criados digitalmente com tecnologia que reduz em até 80% os gastos

2 nov 2026 - 05h00
Processos para criar campanhas de moda são otimizados com uso de imagens de IA
Processos para criar campanhas de moda são otimizados com uso de imagens de IA
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

Uma campanha de moda com modelos posando em cenários como Nova York, Cidade do México, São Paulo e Rio de Janeiro, em vários cenários e com diversas roupas, poderia ser uma megaprodução envolvendo milhares de reais. Hoje, com ajuda da tecnologia, a estrutura logística pode ser substituída pela inteligência artificial (IA), e a partir de uma simples foto de uma peça de roupa é possível criar uma grande campanha.

A IA tem mudado diversos setores da sociedade, e não é diferente com a publicidade de moda. Empresas especializadas já usam ferramentas para criar modelos virtuais, cenários, fotos editoriais, vídeos e lookbooks. A proposta é reduzir as etapas e os custos de produção, sem deixar de lado a criatividade humana.

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Na TEOS, empresa que produz campanhas com IA, o CEO Eduardo Schuller afirma que uma foto feita com celular de uma peça em um manequim já serve como ponto de partida. A empresa já criou campanhas dessa forma para marcas como Cantão, Melissa, Ipanema e várias outras. Segundo o CEO, o custo ficou abaixo de 10% do que seria gasto em uma produção tradicional, com deslocamentos, cachês e hospedagens, por exemplo.

A empresa afirma que consegue reduzir em até 80% os custos das campanhas e entregar projetos em oito dias com o auxílio da IA. No entanto, os números variam conforme a complexidade de cada trabalho.

Como uma campanha de moda é criada com IA?

O processo começa antes mesmo da geração das imagens. A equipe conversa com a marca para entender a identidade, o conceito e a história que a campanha deve transmitir. Em seguida, define elementos como modelos, cenários, cores, roupas e composição visual.

Eduardo Schuller, CEO da Teos, implementou IA para realizar campanhas de moda
Foto: Divulgação/TEOS

Só depois começa a etapa de geração das imagens com inteligência artificial. Segundo Schuller, a empresa combina mais de 15 ferramentas de IA, entre soluções de terceiros e tecnologias próprias, com profissionais responsáveis por acompanhar e ajustar os resultados.

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“Hoje cada campanha que passa por aqui para entregar, desde a foto que a gente recebe, até entregar para o cliente, passa por pelo menos cinco profissionais diferentes, né, que vão acompanhando analisando, criando, aperfeiçoando”, afirma.

A IA substitui modelos e fotógrafos?

Apesar da possibilidade de criar modelos virtuais e dispensar parte da estrutura de uma sessão fotográfica, Schuller afirma que o trabalho humano continua no centro do processo. A diferença é que profissionais que antes atuavam em estúdios agora usam sua experiência para orientar a tecnologia.

Custos de produção são reduzidos com menos etapas na criação de campanhas de moda, diz o CEO
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

“Eu vejo que a IA vem para nos facilitar agilidade, eficiência, produzir mais em escala o que a gente precisa e com isso a gente tem mais tempo para poder fazer o nosso trabalho humano mesmo, de ser criativo, de ter um senso crítico”, diz o executivo.

Na avaliação dele, a mudança está na distribuição do tempo de trabalho. Em uma produção tradicional, boa parte do esforço é dedicada à organização da equipe, locação, deslocamentos e execução das fotos em um mesmo dia. Com a IA, essas etapas podem ser reduzidas, abrindo espaço para testar ideias e desenvolver diferentes versões da campanha.

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“Antes, a gente gastava 20% do tempo na parte criativa e os outros 80% produzindo. Agora, a gente consegue fazer o contrário, consegue gastar 80% do tempo criando, pensando, analisando, gerando novas possibilidades”, afirma.

Direitos de imagem e limites da tecnologia

Apesar das facilidades, o uso de modelos virtuais também levanta questões sobre direitos de imagem. Segundo Schuller, a empresa trabalha a criação de modelos inteiramente fictícios ou o uso da imagem de modelos reais, quando há autorização.

Criar fotos de modelos usando roupas pode ser mais simples com modelos de IA
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

No primeiro caso, a companhia afirma fazer verificações para evitar que os rostos gerados sejam iguais ou muito parecidos com os de pessoas existentes. Já quando uma marca deseja utilizar a imagem de uma modelo conhecida, é necessário ter autorização e estabelecer um contrato.

Para o executivo, a tendência é que o mercado combine cada vez mais os formatos tradicional e digital, para expandir as possibilidades de trabalho. Ele defende que isso não significa o desaparecimento das produções presenciais ou feitas inteiramente por seres humanos. “A tecnologia nos ajuda a escalar esse processo, a dar mais velocidade. Mas o valor está no olhar das pessoas que estão construindo essas histórias”, diz.

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Fonte: Portal Terra
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