Empresa de supercomputadores dobra produção para impulsionar ambições da Europa em IA

2 out 2026 - 15h02
Resumo
A fabricante estatal francesa Bull expandiu sua fábrica em Angers para dobrar a produção de supercomputadores, fortalecendo a infraestrutura da Europa para competir em inteligência artificial com EUA e China. O avanço apoia o plano da União Europeia, que destina 7 bilhões de euros ao setor. Impulsionada por grandes contratos como os projetos Alice Recoque e LUMI-AI, a empresa já utiliza 70% de componentes europeus em suas máquinas, reforçando a autonomia tecnológica do bloco com alta demanda.

A Bull, fabricante estatal francesa dos supercomputadores mais rápidos ‌da Europa, reinaugurou nesta quinta-feira uma fábrica ampliada para dobrar sua capacidade de produção, segundo informaram executivos à Reuters, em um momento em que a Europa reforça sua capacidade computacional em inteligência artificial.

A União Europeia destinou 7 bilhões de euros para o período de 2021 a 2027 a uma rede de supercomputadores, com o objetivo de diminuir a vantagem computacional em relação aos Estados Unidos e ⁠à China. A fábrica da Bull em Angers, na França, é a única na Europa dedicada à ‌construção dessas máquinas, e sua ampliação visa apoiar essa meta.

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O presidente-executiv, Emmanuel Le Roux, afirmou que a Bull recebeu mais pedidos este ano do que nunca e venceu 15 das 18 licitações lançadas pela ‌EuroHPC, o órgão da UE que cofinancia a rede europeia ‌de supercomputadores junto aos Estados-membros, competindo contra empresas como a Hewlett Packard Enterprise.

A Airbus inaugurou ⁠este ano supercomputadores fabricados pela Bull em Toulouse e Hamburgo, no âmbito de um contrato de cinco anos que, segundo a mídia, teria um valor próximo a 100 milhões de euros e triplicou a capacidade de simulação da fabricante de aeronaves.

A Bull informou à Reuters que o valor do contrato divulgado não estava correto, mas se recusou a revelar o valor exato.

A operadora de computação em ‌nuvem OVHcloud e a Domyn, apoiada pela Comissão Europeia, estão ambas tentando treinar modelos de IA de ponta ‌no supercomputador JUPITER da Bull, juntamente ⁠com outras empresas que ⁠a Bull se recusou a nomear.

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PRODUÇÃO PODE CRESCER EM 2027

A expansão em Angers custou 80 milhões de euros, afirmaram ⁠executivos da Bull. A produção já dobrou, passando de ‌seis racks por mês anteriormente para 12 ‌atualmente, e a fábrica pode aumentar a produção para 24 no próximo ano, atendendo à demanda que deve continuar crescendo.

O pedido da França à Bull, um supercomputador que leva o nome da cientista da computação Alice Recoque, totaliza 94 racks e está sendo montado em ⁠paralelo com o LUMI-AI, o sistema finlandês de 388 milhões de euros e o maior contrato já assinado pela Bull. Os dois pedidos não poderiam ter sido produzidos simultaneamente antes da expansão, afirmaram os executivos.

A França concluiu a aquisição da Bull do grupo de TI Atos, que enfrentava graves problemas financeiros, em 31 de março, avaliando a empresa ‌em até 404 milhões de euros. O motivo original foi estratégico, disse Le Roux. Na década de 1980, depois que os EUA pararam de enviar supercomputadores para a CEA, a agência nuclear ⁠da França, o país recorreu à Bull para construir as máquinas que eram usadas para simular testes nucleares.

A Bull construiu o JUPITER, a primeira máquina exascale da Europa, a classe mais rápida de supercomputadores, que atualmente opera no centro de Jülich, na Alemanha. O Alice Recoque, encomendado para a CEA, deve ser entregue em etapas a partir do final deste ano, a um custo de 554 milhões de euros para o governo francês e a União Europeia.

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A fábrica de Angers monta sistemas utilizando processadores de Nvidia, AMD e Intel, ou componentes europeus, dependendo das demandas dos clientes. Os componentes fabricados na Europa representam 70% das máquinas que estão sendo construídas, um aumento em relação aos 20% a 30% registrados há cinco anos.

Por meio de uma parceria firmada em junho, a Bull e a taiuanesa Foxconn <2317. TW> também fabricarão os sistemas NVL da Nvidia em uma fábrica na República Tcheca, com a montagem final realizada na fábrica de Angers.

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