Uma mandíbula de 2,6 milhões de anos muda tudo o que pensávamos sobre hominídeos e reescreve história da humanidade— nós não éramos os únicos resilientes

A capacidade de adaptação do Paranthropus é maior do que esperávamos

23 jan 2026 - 13h31
(atualizado às 14h43)
Foto: Xataka

Uma descoberta fóssil na Etiópia está reescrevendo o que sabíamos sobre a resiliência e a distribuição de um dos parentes mais curiosos da linhagem humana. Um estudo publicado na revista Nature em janeiro de 2026 descreve a descoberta de uma mandíbula de 2,6 milhões de anos pertencente ao gênero Paranthropus na região de Afar, cerca de 1000 km ao norte de onde qualquer registro desse hominídeo havia sido localizado anteriormente.

A pesquisa, liderada pelo paleoantropólogo Zeresenay Alemseged, da Universidade de Chicago, derruba a ideia de que o Paranthropus era um "especialista restrito" que não conseguia competir com os primeiros humanos. Pelo contrário, os dados sugerem que ele era surpreendentemente adaptável e capaz de prosperar em ambientes diversos, desafiando a visão de que sua extinção foi causada por uma dieta limitada ou incapacidade competitiva.

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O mistério do "hominídeo quebra-nozes"

O Paranthropus é frequentemente chamado de "quebra-nozes" devido às suas mandíbulas maciças, molares gigantes e esmalte dentário extremamente espesso. Essas características físicas levaram os cientistas a acreditar, por décadas, que essa espécie possuía uma dieta muito restrita e especializada, o que a tornaria vulnerável a mudanças ambientais.

A presença desse fóssil no norte da Etiópia prova que o Paranthropus não estava confinado a pequenas regiões, mas era tão disseminado quanto os membros do gênero Homo. As evidências mostram que a espécie viveu ao lado dos nossos ancestrais diretos ...

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