Queimada recorde na Europa avança e ameaça Bordeaux e Madri

25 jul 2026 - 17h50
(atualizado às 18h11)

Queimadas que atingem França e Espanha já consumiram inéditos 120 mil hectares e avançam na direção de grandes cidades. Mais de 280 mil deixaram suas casas. Uma pessoa morreu.Os incêndios florestais que atingem a França e a Espanha ganharam proporções ainda maiores neste sábado (25/07), lançando uma gigantesca nuvem de fumaça que já começa a se unir na atmosfera, mostram imagens de satélite da agência meteorológica espanhola Aemet. O megaincêndio agora ameaça se aproximar da capital espanhola Madri e da cidade francesa Bordeaux.

No sudoeste francês, quase 98 mil hectares já foram consumidos pelas chamas, um "recorde histórico", segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nunez. Pelo menos 140 edifícios já foram destruídos na região de Gironde.

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Na Espanha, as queimadas provocaram a primeira morte relacionada ao fogo nesta semana. Ao todo, cerca de 25 mil hectares foram devastados no país. Somadas, as áreas consumidas nos dois países equivalem à área da cidade de São Paulo.

O agravamento da situação levou o governo espanhol a declarar a primeira emergência nacional de sua história por incêndios florestais.

Centenas de milhares de pessoas foram afetadas dos dois lados da fronteira. Pelo menos 280 mil deixaram suas casas até o momento: 197 mil nos departamentos franceses de Gironde e Landes e 88 mil na Espanha. Na França, os alertas de evacuação foram enviados diretamente para telefones celulares. Em algumas localidades turísticas da costa atlântica, moradores e visitantes precisaram fugir de barco para escapar das chamas.

França mobiliza Exército e teme avanço do fogo até Bordeaux

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"Os incêndios que atingem nosso país alcançaram um nível nunca visto antes", escreveu o primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, na rede social X. Segundo ele, o fogo em Gironde atingiu tamanho grau de intensidade que passou a gerar seus próprios ventos, dificultando ainda mais os esforços de contenção.

As Forças Armadas francesas foram mobilizadas para auxiliar os bombeiros. Na tarde deste sábado, um avião militar de transporte A400M, o maior da frota do país, participou das operações, lançando água e retardante sobre áreas florestais atingidas pelo fogo. O avião, adaptado para o combate a incêndios, se juntou a pelo menos outras 18 aeronaves e helicópteros empregados nas operações na região de Gironde.

No país, os fortes ventos seguem impulsionando a propagação dos incêndios. A região costeira próxima a Bordeaux, conhecida pelo turismo, abriga extensas florestas de pinheiros altamente inflamáveis, além de vinhedos responsáveis por alguns dos vinhos mais famosos do país.

Com a previsão de mudança na direção dos ventos, as autoridades temem que o fogo, que está a cerca de 30 quilômetros da cidade, avance diretamente sobre o centro urbano. Bombeiros abriram trincheiras e ampliaram o uso de retardantes para tentar conter o avanço das chamas.

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As autoridades francesas recomendaram que a população evite deslocamentos rodoviários e ferroviários para a região. O aeroporto da cidade permanece aberto. O governo também enviou 1,5 milhão de máscaras para proteção contra a fumaça.

"Saí sem nenhuma das minhas coisas, sem nada, com as duas crianças pequenas", relatou Bernadette, de 71 anos, após abandonar sua casa no litoral durante a madrugada com os netos.

Ela falou de um centro de convenções em Bordeaux transformado em abrigo emergencial. "Esqueci muitas coisas, meus remédios para os olhos, tudo." O espaço tem capacidade para receber até 10 mil pessoas.

Os incêndios também provocaram impactos fora das áreas diretamente afetadas. Os organizadores da Volta da França anunciaram a redução da etapa final da competição neste domingo. O percurso foi encurtado de 133 para 89 quilômetros para permitir o remanejamento de parte do efetivo de segurança para as regiões atingidas pelas chamas.

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Megaincêndio ameaça região de Madri

Já a Proteção Civil espanhola anunciou a chegada de quatro aeronaves adicionais para o combate às chamas, duas enviadas pela Itália e duas pela Grécia, como parte da resposta coordenada pela União Europeia. Aeronaves da Holanda e de Portugal também atuam no país.

Croácia, República Tcheca, Suécia, Eslováquia, Alemanha e Suíça também apoiam os países no combate aos incêndios.

Nos arredores de Madri, dois dos três grandes focos ativos se uniram, formando um megaincêndio a poucos quilômetros da capital espanhola. As autoridades mobilizaram cerca de 2.600 bombeiros, policiais e outros agentes de emergência, apoiados por 19 aeronaves e helicópteros. O chefe da proteção civil do país, Carlos Novillo, disse que as chamas são "imparáveis".

Um foco menor nos arredores de Valência, controlado ainda neste sábado, causou a morte de um idoso dentro de seu carro, informou o Ministério do Interior da Espanha.

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A ministra da Saúde, Monica Garcia, também orientou a população da região de Madri a evitar atividades ao ar livre devido à fumaça.

"Vi nuvens de fumaça subindo para o céu. Foi quando percebi que algo estava acontecendo", contou à Reuters Rodika, de 60 anos, moradora da pequena cidade de Fresnedillas de la Oliva.

"Acho que todos entramos em pânico. Depois recebemos a mensagem orientando que nos preparássemos, pegássemos os objetos de valor e tudo o que fosse mais importante. Eu peguei meu gato e fui embora."

As queimadas são consideradas mais um episódio associado à combinação de seca prolongada e sucessivas ondas de calor, fenômenos que cientistas relacionam às mudanças climáticas. Até o momento, a temperatura máxima média registrada em julho na região francesa afetada chegou a 32,2°C, segundo dados do Reuters Climate Monitor. O valor está 7,3 graus acima da média das máximas observadas para o mês entre 1961 e 1990.

gq (Reuters, AFP, AP)

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