Ao contrário da crença de que desviar o olhar indica timidez ou desinteresse, a psicologia revela que o hábito é uma forma de aliviar a carga cognitiva do cérebro. Um estudo da Universidade de Kyoto mostrou que sustentar o contato visual consome recursos mentais que disputam atenção com o raciocínio. Assim, quando precisamos lembrar de informações, formular respostas ou lidar com tarefas complexas, desviar a vista torna-se uma estratégia natural para que a mente consiga focar no pensamento.
Desde pequenos, ouvimos que olhar nos olhos da pessoa com quem estamos conversando não é apenas um sinal de respeito, mas também transmite atenção e interesse pelo que ela está nos dizendo. Desviar o olhar, por outro lado, pode ser visto como um sinal de timidez, insegurança ou de que temos algo a esconder. A psicologia, porém, tem outra opinião.
Se você já precisou desviar o olhar para tentar se lembrar de algo importante para a conversa, como um nome, pensar em como resolver um problema que alguém está lhe apresentando ou até mesmo encontrar a palavra certa, provavelmente já percebeu que aquilo que nossos pais consideravam indispensável em uma conversa, na realidade, não é tão essencial assim.
Quando olhar e pensar disputam nossa atenção
Em 2016, dois pesquisadores da Universidade de Kyoto decidiram testar essa dicotomia. Eles mostraram aos participantes do estudo vídeos de rostos que mantinham o olhar fixo neles ou o desviavam e, ao mesmo tempo, propuseram uma tarefa simples: relacionar verbos aos substantivos mais adequados. Ou seja, se você tivesse, de um lado, uma tesoura e, do outro, o verbo cortar, a relação seria mais simples do que o mecanismo de um relógio.
A principal descoberta foi que, quanto mais complexa se tornava a tarefa, mais aqueles olhos que olhavam fixamente atrapalhavam os participantes. Mas não era a sensação de insegurança que dificultava as coisas. Como os pesquisadores acabaram demonstrando, o ponto central era que manter o contato visual ...
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