Pesquisadores suíços desenvolveram uma mão robótica destacável, inspirada na agilidade humana e no personagem Mãozinha, capaz de se locomover sozinha, pegar objetos e ter aplicações industriais, exploratórias e médicas.
Se o personagem Mãozinha, de A Família Addams, existisse na vida real, provavelmente já teria se adaptado às novas tecnologias e poderia até ter uma aparência robótica. Pesquisadores desenvolveram uma mão robótica capaz de andar sozinha, na ponta dos dedos, e de se soltar do braço ao qual é conectada, além de pegar objetos e retornar com eles.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
A semelhança com o personagem que aparece também na série Wandinha se dá pela forma como o robô se move, além de lembrar uma mão viva. O robô pode explorar espaços pequenos, que normalmente outros robôs não alcançariam. A criação é dos pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça, e foi publicada na revista Nature no dia 20 de janeiro.
Enquanto na série o Mãozinha tem vida própria e caminha usando os dedos, o robô se desliga do braço robótico, caminha até um objeto com os dedos e os traz de volta, como mostra um vídeo divulgado pelos cientistas.
Os pesquisadores querem que a invenção seja usada para braços industriais, instrumentos de resgate em áreas estreitas. Mas também, no futuro, a invenção pode servir até como prótese humana, respondendo a sinapses do cérebro.
Como funciona?
A ideia de criar o robô veio da vontade dos pesquisadores de copiar exatamente a mão humana, melhorando a performance com soluções para a robótica. As mãos humanas são a base para soluções que vão desde máquinas industriais até próteses.
Ainda que a mão humana seja muito habilidosa, ela possui limitações estruturais, como a dependência de um único polegar, e a assimetria entre os lados, o que pode atrapalhar tarefas em ambientes industriais ou de exploração.
O cientista Aude Billard e sua equipe queriam ir além, e por isso decidiram fazer uma mão que saísse do braço, pudesse se locomover e trazer objetos. Ou até ir em lugares que o braço não alcança.
Ao invés de imitar a anatomia humana, os pesquisadores criaram dedos reversíveis, que dobram para frente e para trás, permitindo que a mão pegue objetos dos dois lados da “palma” ao mesmo tempo.
Foi usado algoritmo genético para que o formato final fosse definido. O computador testa milhares de combinações possíveis de formas, posições de dedos e modos de movimento, selecionando a mais eficiente.
Assim, o projeto evoluiu até chegar na versão física no laboratório, que inclui modelos com cinco e seis dedos.
Quando está presa ao braço robótico, a mão é semelhante à humana, consegue beliscar uma bola entre dois dedos, segurar uma haste metálica com vários dedos ou prender um disco plano entre a palma e os dedos.
A diferença aconteceu quando a mão faz coisas que o corpo humano não permitiria. Ela pode se dobrar para trás com a mesma facilidade, permitindo segurar dois objetos ao mesmo tempo, em lados opostos, ou até desrosquear a tampa de um frasco enquanto o mantém firme.
E o mais interessante: a mão consegue se locomover sozinha. Ao se desacoplar do braço, ela consegue “andar” usando os dedos, pegar o objeto desejado, pode retornar e se reconectar, como se fosse uma extensão móvel e inteligente do robô principal.
As aplicações vão desde a indústria e serviços até missões exploratórias. A tecnologia pode ajudar a recuperar peças em máquinas, alcançar locais perigosos ou de difícil acesso e ampliar o alcance de braços robóticos.
No futuro, o uso desse tipo de mão como prótese poderá ser aproveitado devido à capacidade de adaptação e versatilidade, segundo os pesquisadores.